sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Carta aberta aos companheiros do PCB e do PSOL: por uma frente de esquerda e Socialista!

Nas eleições, juntemos nossas forças para criar uma alternativa de esquerda que defenda nas eleições as reivindicações das mobilizações!

Gilmar Salgado, do PSTU


Nas eleições desse ano a esquerda terá uma oportunidade ímpar de se apresentar de forma ampla como uma alternativa absolutamente diferenciada dos atuais governos Dilma e Colombo. Durante quase uma dezena de anos, os trabalhadores e a juventude do Brasil foram levados a crer que tínhamos um governo de esquerda, que tinha preocupações sociais e que estava ajudando os setores mais empobrecidos da nossa população.

Através dessa máscara e apoiados não só pela maioria da grande burguesia, com seus poderosos meios de comunicação, mas também pela ampla maioria das entidades dos trabalhadores, a exemplo dos sindicatos, centrais sindicais e entidades estudantis (destaque para CUT, CTB e UNE) o governo do PT aplicou uma implacável politica neoliberal.

Apesar de ser uma politica econômica antipopular, o governo manteve-se fortemente apoiado pela população, o que possibilitou que aplicasse suas políticas compensatórias mínimas, estipuladas pelo FMI, bem como outras, que foram anunciadas como políticas avançadas (bolsa família, valorização relativa do salário mínimo, PROUNI, etc). Porém, todo este apoio só foi possível – dentro dessa política econômica – devido à situação de forte crescimento econômico a nível internacional. A essas migalhas dadas pelas politicas de compensação social, somava-se o grande aumento do número de empregos gerados pelo crescimento econômico mundial. Apesar de esses empregos serem muito precarizados, trouxeram um alivio à situação anterior de desemprego altíssimo (era FHC), e o governo tratou de capitalizar como sendo obra sua.

Entretanto, a deterioração da situação econômica mundial, inevitável no sistema capitalista, vem mudando essa situação. Mesmo que o Brasil ainda não esteja sofrendo os efeitos mais fortes da crise, a situação de desaceleração do crescimento já criou uma nova percepção em amplos setores da população. A tão propalada melhora da situação está na verdade se esvaindo em uma desesperança e mal estar generalizado.

Ressurgem, para espanto de muitos, com muita força, novas mobilizações que movimentam milhões. O governo Dilma já deixou claro o caminho que optou para enfrentar essa nova situação: mais privatizações, ataques às conquistas dos trabalhadores (novas reformas da previdência e trabalhista), sucateamento dos serviços públicos para pagar juros aos banqueiros e outros agiotas e, finalmente, uma repressão generalizada, juntamente com os governadores estaduais, que culminou na criminalização dos movimentos sociais e populares.

Porém, qual a direção podem tomar estas justas lutas? Não é só a repressão burguesa que o ameaça, há também o perigo de ele se dirigir para saídas estéreis que o levem há algum beco sem saída. Por isso, dar uma saída positiva para essas lutas é uma tarefa fundamental dos socialistas e a formação de uma frente de esquerda seria um enorme passo nesse sentido. Essa frente pode canalizar as esperanças de milhões de jovens e trabalhadores brasileiros, pois somente aqueles que não estão comprometidos com os governos que estão aí podem dar essa saída.

Claro que seremos duramente atacados pelo governismo, que antes nos chamava de sectários por não apoiá-los e que agora nos perseguem dizendo que estamos fazendo o jogo da direita. Todavia, como bem o sabemos, quem na verdade continua a ter o apoio da ampla maioria da direita são os governos do PT e do PCdoB, basta ver com que vontade Colombo quer a coligação com eles, colocando-se, inclusive, a serviço da reeleição de Dilma, vontade, aliás, totalmente correspondida pelas direções do PT e PCdoB.

Uma frente de esquerda, socialista e classista tem grande potencial de aglutinar movimentos sociais e sindicatos em torno da construção de um programa que aponte para a ruptura com o imperialismo e o capitalismo e defenda a necessidade da construção de uma sociedade socialista. Esta Frente de Esquerda deve dar corpo à insatisfação dos trabalhadores e do povo pobre com tudo o que aí está. Deve defender um programa que aponte as mudanças profundas que são necessárias fazer. Neste sentido, destacamos 07 pontos programáticos fundamentais para construção da frente:

– Aumento geral de salários e redução da jornada de trabalho! Rumo ao salário mínimo do Dieese! Congelamento e redução de preços;
– Estatização das grandes empresas e do sistema financeiro e o não pagamento da dívida pública para investir mais em transporte, educação e saúde pública de qualidade. Fim dos gastos excessivos com a Copa do Mundo e Olimpíadas e dos benefícios fiscais e financeiros às grandes empresas. Por um plano econômico dos trabalhadores;
– Reformas urbana e agrária a serem realizadas de maneira ampla e sob controle da classe trabalhadora;
– Não à agressão militar do governo brasileiro ao Haiti, que lidera uma ocupação militar neste país;
– Denunciar as instituições desta democracia dos ricos que só serve para propagar a corrupção e multiplicar os lucros dos grandes empresários;
– Contra a repressão aos movimentos sociais e a criminalização da pobreza. Pela desmilitarização da Polícia, o fim da PM e das Tropas de Choque e a criação de uma nova Guarda Civil unificada, democrática e sob controle dos trabalhadores;
– Oposição de esquerda aos governos e apoio a todas as greves, lutas, ocupações e movimentos que combatem o machismo, racismo e homofobia;
– Contra as privatizações das Empresas e serviços públicos e pela reestatização das empresas privadas nos Governos Collor, FHC, Lula e Dilma.


Todavia, a mudança não deve se pautar somente no programa da frente; deve começar por seus princípios e por sua forma de existir: devemos romper com os erros acumulados por anos e anos na esquerda brasileira, que pavimentaram a ascensão do PT/PC doB até esse tipo de governo que aí está.

Em primeiro lugar, não podemos admitir, sob hipótese alguma, aliança(s) com partidos da burguesia, bem como qualquer forma de financiamento de campanhas eleitorais junto aos empresários. Devemos nos voltar orgulhosamente à máxima da 1a Internacional, na qual “a emancipação dos trabalhadores será obra dos próprios trabalhadores”.

Outra questão fundamental é o respeito à pluralidade e à democracia nas decisões. Tem que se estabelecer um diálogo que nos leve a uma Frente de Esquerda que respeite o peso e a representação social de cada partido na divisão das candidaturas majoritárias e do tempo de TV. Neste sentido, queremos fazer um debate franco com os companheiros do PSOL. Achamos que se equivocam os companheiros em práticas como as que agora vemos a nível nacional, onde querem impor a chapa majoritária exclusivamente de seu partido.

Acreditamos que os companheiros ainda podem mudar essa prática para viabilizar uma Frente de Esquerda. Queremos, em especial, chamar os companheiros do PCB – que no último período têm se colocado ativamente em importantes lutas que estão ocorrendo em nossa região – que não deixem de participar ativamente nesse debate. Temos certeza e convicção que irão enriquecê-lo.

Para Santa Catarina a realização dessa frente apresentaria nas eleições desse ano a única oposição de verdade ao governo de Raimundo Colombo, pois, como sabemos, se o PT não se coligar a este, lançará apenas uma candidatura que na prática o ajudará a se reeleger. É a chamada coligação branca. Fazem isso porque há muita crise em sua base e assim trabalham para melhor enganar suas próprias bases. Nós devemos aproveitar essa situação para solidificar uma alternativa classista e socialista nas eleições.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

O Brasil precisa de uma mudança radical!

A você que acabou de assistir nosso programa partidário na TV, fazemos um convite: conheça mais sobre o PSTU

Vejam o programa semestral do PSTU na TV:



Leia mais: www.pstu.org.br/node/20182

sábado, 30 de novembro de 2013

A semana da consciência negra em Joinville - porque não tivemos feriado no dia 20?

Sebastião Amaral é servidor público da Prefeitura de Joinville, militante do PSTU Joinville e nosso correspondente. Caso queira entrar em contato, escreva para canaldireto@gmail.com

No ultimo dia 20 de novembro fui fazer uma panfletagem referente ao dia da consciência negra, na frente da maior universidade da região de Joinville(UNIVILLE). Segundo o último censo, a cidade tem quase 20% de negros. Porém na entrada da universidade, só se via brancos. Se haviam negros, era muito menos de 20%.

Não foi de surpreender que o panfleto foi menos aceito que o normal, pela experiência que tenho das outras panfletagens lá. Algumas caras de desdém, como se as pessoas nada tivessem a ver com aquilo, me marcaram.

Joinville, uma cidade onde a burguesia faz questão de fortalecer uma imagem européia, alemã, a cidade do trabalho. É a cidade mais negra de um estado branco, segundo o Censo. Só que não vemos os negros no dia a dia, e muito menos na entrada da Univille, não naquele dia.

Uma cidade cujo prefeito está envolvido em várias denúncias de racismo. Um prefeito que esse ano sancionou o feriado do dia da consciência negra, que logo foi vetado pela justiça, um tema que dividiu a cidade.

A formação histórica da nossa cidade e a grande maioria da população sendo branca acentua o racismo presente aqui. Muitas vezes, enquanto acontecia o debate sobre se era certo ou não o feriado, ouvi frases como ‘precisamos de um feriado da consciência humana’, ‘quero um feriado do dia dos brancos’ ou até que ‘este feriado é como as cotas raciais, um privilégio para os negros’.

O que falar sobre o “Feriado” da consciência negra em Joinville?

Primeiro, a data: trata-se de uma referência ao dia da morte de Zumbi dos Palmares, um dos maiores líderes da luta e resistência do povo negro contra a escravidão. Mas porque um feriado? Os feriados são datas que a sociedade considera históricos e importantes de lembranças e reflexão. Pergunte para algum cristão se ele aceita o fim do feriado no Natal! Queremos essa data como feriado,não só em Joinville,em todo o Brasil, pois ela seria a incorporação de nossa história, um reconhecimento de que nossa história é feita em grande parte pelo suor e trabalho escravo (índio e principalmente negro) e não simplesmente por ‘descobridores’ brancos europeus. Sabemos que precisamos de muito mais do que isso para combater o racismo, mas é um passo.

Segundo, a sua ‘viabilidade’: as desculpas técnicas usadas pela justiça para proibir a criação do feriado são apenas desculpas. Existe por um lado um interesse da classe burguesa, proprietária das empresas e do comércio em evitar ao máximo pagar qualquer coisa a mais a todos os trabalhadores (brancos ou negros) e ter mais um feriado remunerado é algo que foge completamente aos seus interesses. Por outro lado, a falta de vontade política de assumir a necessidade de discussão da questão racial nos locais de trabalho, estudo e moradia ao longo da cidade, também reflete uma prática sistemática de promover a invisibilidade negra, a quem é negado o acesso os mais diversos espaços, sendo um deles, a Universidade em que estive na semana passada.

A posição da Burguesia local ficou evidente na posição do CDL local e da ACIJ que exigiam do prefeito o veto ao feriado. E entraram na com a ação na justiça que gerou a proibição do feriado.

Ao conceder o feriado, Udo, o prefeito, sabia que o mesmo não ia acontecer. A certeza prévia que o mesmo seria barrado pela justiça, o permitiu fazer uma ação de demagogia para melhorar sua imagem com relação às denúncias de racismo.

O Dia da Consciência Negra não deixará de ser celebrado por nós, com ou sem feriado. Porque sabemos a importância desta discussão, e sabemos que o capitalismo se beneficia enormemente do racismo para dividir e explorar ainda mais a nossa classe de conjunto. Nós sabemos que o racismo só beneficia às classes dominantes, e sabemos que não interessa aos patrões de Joinville (incluindo o nosso prefeito, patrão de centenas de operários fabris) mais um dia de descanso remunerado para os trabalhadores. Ainda mais se esse dia for para reconhecer a importância histórica de todos os negros que ajudaram a erguer o nosso pais, pois isso significaria abrir mão do mito de que não existem negros aqui, e de que nossa cidade só é tão produtiva devido à influência germânica – artifício cultural que leva com que nós aceitemos com mais passividade a exploração e sobrecarga de trabalho a que somos submetidos, dia a dia.

Não deixaremos de ir às portas das Universidades, das fábricas e todos os espaços possíveis discutir que não há capitalismo sem racismo. Não nos deixamos convencer pelos argumentos técnicos para o não-reconhecimento do feriado em Joinville, nem deixamos de denunciar os casos de racismo protagonizados seja pelo nosso Prefeito ou por quem for. Fazemos isso por respeito e reconhecimento à luta de todos os negros deste país, desde sempre oprimidos e explorados. E o fazemos porque sabemos que só assim libertaremos toda a nossa classe da miséria, da exploração e da opressão.

Senhores dirigentes, patrões, políticos e demais interessados em abafar a discussão racial de nossa cidade: acostumem-se com o incômodo. Nós não vamos permitir que os negros continuem a ser escondidos do lado de fora dos empregos, das vagas nas escolas, nas universidades, nos meios de transporte e do centro da cidade. Joinville ainda tem muito o que avançar sobre este assunto, e nós não vamos deixá-lo para depois!

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Fragmentos da história do PSOL de Blumenau (sob a ótica do PSTU, claro!)

Obviamente, começar a escrever a história de um partido político em uma cidade é uma tarefa meticulosa se o desejo for realmente o de registrar os fatos para o futuro: não é o caso deste texto! Aqui a pretensão não é outra senão polemizar em torno das qualidades e defeitos do PSOL! Pedimos aos leitores que, por favor, dêem as suas opiniões sobre o que aqui está escrito, fins possamos melhor analisar e entender os fatos sobre este partido que a cada dia adquire maior importância no cenário eleitoral brasileiro, e possivelmente também terá grande importância eleitoral na nossa cidade em tempos vindouros. De modo especial, as pessoas aqui citadas poderiam se manifestar, inclusive expondo as suas divergências com o próprio texto!

Para melhor nos expressarmos, tomamos a liberdade de dividir os fatos em quatro períodos cronológicos, o que não significa que os períodos não tenham uma profunda ligação entre si: tem sim, principalmente no que tange as causas de tantas mudanças de rumo em tão pouco tempo.

Seguindo o exemplo do PSOL nacional, o PSOL blumenauense também já foi várias vezes visto em cenas explícitas de fratricídio político. Aliás, nada a se estranhar para um partido com raízes na classe trabalhadora (portanto, um partido dos explorados desta sociedade) e que se organiza nos moldes da democracia burguesa (portanto, pelo modelo opressor desta sociedade): notem que a contradição é infinita, e só poderia terminar em autofagia! Senão, vejamos:


1) A fundação da sigla em Blumenau deu-se logo em 2005/6 com a entrada de dois grupos de origens bem diferentes: um deles, menor e com menos experiência política, egresso da JPMDB; Este grupo era liderado pelo jovem Eliomar Russi, hoje ocupando cargo de confiança no governo Napoleão (PSDB), o que revela que a “ideologia” e o interesse no PSOL não eram muito compatíveis com esta sigla de oposição de esquerda ao PT. O outro grupo, composto por militantes desde a década de 80, trazia um número razoável de ex-petistas que se auto definiam como marxistas, alguns até mesmo como leninistas, quase todos com expressivas passagens pelos movimentos estudantil e sindical. Este agrupamento tinha duas referências principais: o ex-sindicalista metalúrgico Almir da Silva e o ex-candidato a vereador (bem votado em 2004) Valdecir Menguarda. Note, portanto, tratar-se de um grupo mais afinado com o que era o caráter do PSOL em seu berço: um racha à esquerda do PT.

Para espanto dos observadores, os dois grupos entenderam-se muito bem entre si, apesar de suas diferenças de passado. Mas, para espanto ainda maior, desentenderam-se mesmo foi com o PSOL, mais precisamente com as direções estaduais e nacionais da sigla “socialista e libertária”: mal fizeram a campanha de Heloísa Helena para a presidência da república e não moveram sequer uma palha por qualquer outra candidatura de seu partido naquelas eleições! Como punição, foram calados pela direção nacional do PSOL por dois anos, o que fez com que se retirassem da sigla. Migraram unidos para o PDT, e de lá, finalmente racharam em duas fatias (correspondentes aos grupos iniciais). Hoje, um grupo simplesmente já nem mais existe, e o outro (com ligações familiares e políticas), faz parte do PMDB e ocupam cargos no governo.

2) Depois, surgiu a liderança de Dari Diehl: honesto, proveniente de uma sigla ainda mais a esquerda do que o PSOL (havia sido nosso principal porta-voz e também dirigente), mas portador de um grave defeito para quem aspira um cargo político pela via eleitoral burguesa: sem a capacidade de aglutinar em torno de seu projeto.Foi este o período em que o PSOL blumenauense mais se aproximou do projeto fundacional da agremiação: a candidatura Dari para prefeito (2008) teve uma campanha de caráter classista! E mais: ainda melhor que o próprio perfil nacional do partido, a campanha de Dari foi militante. Nós do PSTU nos orgulhamos de termos colaborado com aquela campanha. Mas, também devido a desentendimentos com as direções estaduais e nacionais, Dari acabou rompendo com o PSOL, na busca de um projeto eleitoreiro mais rápido. Buscou o PT, possivelmente confiante na vitória de Ana Paula nas eleições de 2012: ledo engano!


Já durante o período em que Dari liderava a sigla, os nome de Hartmuth Kraft e Osni Wagner faziam parte da lista de Psolistas blumenauenses, ainda que de uma forma tímida. Ambos também egressos do velho e combativo PT da década de 80 compunham com Dari aquilo que ousamos chamar de “tríade marxista” do PSOL de Blumenau. Harmuth, um líder sindical metalúrgico, e Osni, um professor com passagens diversas (algumas honrosas, outras nem tanto) por vários movimentos sociais, culturais, etc... Com a saída de Dari, a dupla passou a liderar o partido.

3) Inicialmente apresentaram-se com a seguinte conformação: Hartmuth para candidato a prefeito e Osni como presidente da sigla, uma dupla bem afinada entre si. Nós, do PSTU, após algumas conversas, concluímos que seria positivo que nos aliássemos, haja vista que Harmuth se comprometia em fazer uma campanha a serviço da classe trabalhadora e sem nenhuma ligação com os empresários e seus diversos partidos. Para nosso espanto, poucos dias antes do registro de candidaturas, o PSOL troca de candidato a prefeito: entra Osni na vaga de Hartmuth. Por motivos internos ao PSOL, tal troca foi feita as pressas!

Nós, do PSTU, tínhamos preferência pela candidatura operária, mas como Osni também se comprometera com os mesmos princípios, com o mesmo perfil e programa classista que Harmuth havia se comprometido, não havia motivos para que o PSTU rompesse a aliança entre as duas únicas siglas da classe trabalhadora local. E aí, fomos nós que nos enganamos: nas últimas semanas, de modo especial nos últimos dias da campanha eleitoral, Osni Wagner passa a se comportar com uma bengala de apoio a candidatura petista de Ana Paula Lima! A candidatura que deveria representar os trabalhadores se tornou uma candidatura auxiliar da burguesia! Quanto a este fato, já é pública a nossa autocrítica postada aqui neste mesmo blog.

Agora, recentemente, há dois ou três meses passados, também Osni viu-se as turras com as direções estaduais e nacionais do PSOL (note que isto tem sido uma constante nas relações PSOL local e PSOL nacional). Não sabemos exatamente os motivos, mas Osni sofreu sansões, e a partir disso também se retirou do partido. Notícias mais recentes dão conta de que Osni se aproxima do PCB.

Em resumo, foram três direções municipais do PSOL que se retiraram da sigla em conseqüência de mal entendidos com as direções estaduais e nacionais, e isso em parcos 09 anos de existência! Somos forçados a perguntar: será culpa dos dirigentes locais? Se “sim”, então o que há em Blumenau que dificulta a direção local deste partido? Ou será culpa das direções estaduais e nacionais psolistas? Se “sim”, então por que o mesmo não acontece em outros municípios e estados?

Ou ainda, será culpa desta estrutura estranha para um partido que se propõe ao socialismo: a estrutura de priorizar o eleitoral sobre as lutas diretas, a estrutura de submeter-se ao calendário eleitoral como sendo a única atividade de disputa do poder, de querer dizer que se chega ao socialismo pela via eleitoral. Em poucas palavras, esta utopia reacionária que é via unicamente institucional para derrubar as instituições: uma mentira! A culpa de tanta desavença é desta utopia reacionária!

4) Agora, uma quarta liderança aparece para dirigir o PSOL local: trata-se do jovem Hugo Voigt. Ainda que inexperiente na luta externa ao seu partido, já viveu boa parte destas intrigas internas, e parece saber como se comportar para manter-se no poder. Quem viver, verá, ou não!!!!

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

A NOVA CONJUNTURA NACIONAL DE LUTAS E SUA CHEGADA EM BLUMENAU: DÚVIDAS A SEREM RESPONDIDAS PELO TEMPO!

Clausmar Luiz Siegel, operário petroleiro e militante do PSTU.

Que o mundo vive um clima convulsivo já há alguns anos, isso já é consenso! Os fatos no Norte da África, no Oriente Médio e na Europa não permitem qualquer dúvida. Mas que o Brasil chegou, ou pelo menos caminha em direção a este estágio, ainda há quem relute em aceitar. Para nós do PSTU, as “Jornadas de Junho” (parece que é este o termo que melhor descreve aqueles gloriosos dias) somadas aos dois dias de intensa mobilização sindical (11/07 e 30/08) por parte da Classe Trabalhadora já dão sinais claros e evidentes de que em breve estaremos respirando os ares que sopram do Oriente supra-equatorial.

Mas, o que nos chama a atenção não é esta constatação pura e simples, nem mesmo a polêmica sobre até que ponto ela é verdadeira ou não. Estamos convictos de que a tendência é de um aumento das lutas nos próximo período, e quem viver, verá! Precisamente, o que nos chama a atenção é a repercussão que estes fatos vindouros trarão sobre Blumenau: convidamos o leitor a fazer conosco um exercício de análise. Assim, com este “espírito”, sinta-se a vontade o leitor que quiser polemizar sobre este tema em nosso blog local.

Neste início de ventania, notamos que o movimento sindical blumenauense está desunido: nenhuma central sindical consegue dizer que possui maioria, ou hegemonia (como preferem os adeptos de Gramsci), no sindicalismo local. Há uma pluralidade enorme de visões políticas e de interesses econômicos locais que dificultam a unidade sindical nas ações mais gerais aqui nas terras do Sr. Hermann Bruno Otto.


A CUT, maior central brasileira, não se organiza localmente, ainda que possua boa parte das filiações sindicais: SINTRASEB, SINTE, SEEB e Sindimetalúrgicos. Falta-lhe o principal: a adesão política de algumas destas diretorias, fazendo com que as filiações sejam meramente cartoriais. A diretoria do SINTRASEB e a maioria da direção regional do SINTE são ativas defensoras da CUT, mas nos metalúrgicos este empenho já não é forte!

Surpreendeu o fato de que no site no SEEB (http://www.bancariosblumenau.org.br/site/noticia.php?cod=1912) convocava a mobilização do dia 30/08 se utilizando da resolução da Executiva Nacional da CUT de 22/08, que por sua vez desvirtuava o próprio caráter da atividade. Desvirtuava na medida em que centrava fogo no PL 4330, e sabemos todos que a CUT mentia ao afirmar que este seria o mais importante motivo da luta de 30/08!!!! A surpresa surge do motivo que teria levado a diretoria do SEEB a se utilizar deste chamado recuado e mentiroso da CUT: qual seria? Por que não se utilizou de uma fonte não cutista e que refletisse o real motivo da mobilização, como por exemplo de algum material da INTERSINDICAL*, com quem a diretoria do SEEB tem afinidades políticas? Estaria a diretoria do SEEB fazendo com que este sindicato volte ao aglomerado cutista?

A CTB e a Força Sindical continuam sem forças na cidade: embora que com simpatizantes em várias categorias, e CTB em Blumenau sofre as conseqüências da crise da direção do PCdoB por seus devaneios na eleição de 2012. E a UGT, ainda que possua dois importantes sindicatos filiados (comerciários e têxteis), também não aparece com uma central organizadora e ativa, e pelo mesmo motivo que a CUT também não aparece: as filiações são meramente protocolares, e não políticas “a vera!”

Analisando o SINTRAFITE surge uma segunda dúvida: até que ponto este sindicato está realmente e politicamente filiado a UGT? Trazendo assessoria política da INTERSINDICAL* para o ACT/2013, cabe perguntar: continua a diretoria do SINTRAFITE ligada a UGT?

Como vemos, a organização dirigida pelo Sr. Mané Melato é a grande incógnita blumenauense para este recém nascido período de lutas: tanto SEEB como SINTRAFITE se mostram titubeantes em relação a esta organização! E por último, a constatação de uma lamentável lacuna neste espectro político-sindical local: a ausência de uma nova força no cenário das classes populares que lutam neste país, o MPL. Se este movimento esteve presente nas mobilizações de junho (e anteriores ainda), mais recentemente sumiu de cena.

De nossa parte, da parte do PSTU, continuamos a incentivar a CSP-Conlutas em Blumenau nas categorias dos correios e operários têxteis. Ainda que com pouca expressão local, temos o orgulho de construirmos em Blumenau esta organização combativa e desburocratizada da classe trabalhadora.

E o SINSEPES? E o SINDETRANSCOL? E o SITICOM? E o SINTEVI? Como se posicionam?
De qualquer forma, tendo em vista o aumento das lutas, o aumento de mobilizações, e quiçá até mesmo uma Greve Geral como aquelas que foram feitas na década de 80, estas dúvidas com certeza desaparecerão! Pois não há nada, absolutamente nada, que a Luta de Classes e a Revolução Permanente não resolvam: ainda que tardiamente, mas hão de resolver!

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* A “INTERSINDICAL” a que nos referimos é a liderada pelo sindicato dos metalúrgicos de Campinas – SP (www.intersindical.org.br), e não a “INTERSOL” (www.intersindical.inf.br). Note o leitor que ambas possuem o mesmo nome, e faz-se necessária a diferenciação política. A segunda inexiste em Blumenau.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

30 de agosto: Dia Nacional de Lutas e paralisações em Blumenau

Os trabalhadores de Blumenau participaram do Dia Nacional de Lutas e paralisações com um Ato público no centro da cidade.

Infelizmente não foi possível repetir o dia 11 de julho que foi um grande dia de luta com greves em várias categorias (veja aqui). Os sindicatos apresentaram uma pauta de reivindicações que atenda as necessidades dos trabalhadores:

- Melhoria da qualidade e diminuição do preço dos transportes coletivos
- Fim do fator previdenciário
- 10% do PIB para educação pública já
- 10% do orçamento da união para a saúde pública
- Redução da jornada de trabalho sem redução salarial
- Contra o PL 4330, da terceirização
- Reforma agrária
- Salário igual para trabalho igual
- Federalização da FURB

terça-feira, 27 de agosto de 2013