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sexta-feira, 5 de dezembro de 2014
Debate sobre o proletariado
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segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
Síria: nós queremos ser ouvidos
Excelente vídeo produzido pelo Jornal Tribuna do Norte sobre a Revolução Síria! Vale a pena assistir e compartilhar!
sexta-feira, 22 de novembro de 2013
A luta dos revolucionários sírios
domingo, 16 de dezembro de 2012
Ato dos 30 anos da LIT: Blumenau presente!
Ato dos 30 anos da LIT reúne mais de 800 em Buenos Aires
Um dia para entrar na história. Não só na história da Liga Internacional dos Trabalhadores, mas de todas as mais de 800 pessoas que lotaram o salão Unione Benevolenza, em Buenos Aires. Um local que diz muito. "Esse é um espaço tradicional da classe operária argentina", destacou Alicia Sagra, dirigente trotsquista argentina que conduziu o ato de comemoração dos 30 anos da LIT.
Um ato que já começou arrancando lágrimas dos presentes. Após a exibição de um vídeo resumo do documentário sobre a história da LIT, bandeiras dos partidos que compõem a Liga entraram no salão, sendo agitadas sob os aplausos das centenas de pessoas, entre argentinos, brasileiros, chilenos, colombianos, e ativistas de várias nacionalidades que convergiram a Buenos Aires nesse 1 de dezembro.
Logo no início do ato, a ativista palestina radicada no Brasil, Soraya Misleh, anunciou a sua filiação ao PSTU e à LIT. Não conseguindo conter as lágrimas, Soraya disse que já começou a se emocionar assim que chegou ao aeroporto, para ir a Buenos Aires. "Encontrei uma palestina de Gaza e uma companheira da Cisjordânia, e esse encontro nunca seria possível, pois quem está em Gaza não pode visitar a Cisjordânia e eu não posso ir a Palestina pois estou na luta".
Soraya falou sobre a luta e os desafios do povo palestino: "O futuro da Palestina está nas mãos da juventude, mas ainda falta uma direção revolucionária". Também tocou no tema das revoluções árabes, cujo pólo principal hoje é a revolução síria. "O caminho da libertação da Palestina passa pela revolução árabe e a queda de Bashar Al Assad será um grande passo nesse sentido".
Eduardo Almeida, da direção do PSTU brasileiro, lembrou de um outro momento, também em Buenos Aires, há 25 anos atrás, quando da morte de Moreno e do início da crise que abalou a LIT. "Estávamos tristes, mas hoje estamos em Buenos Aires e estamos felizes". Eduardo citou o processo de fortalecimento da LIT e a expansão da Liga para os países da Europa, como Portugal Itália e Espanha e a intervenção desses partidos no atual processo de mobilização contra os planos de austeridade.
Eduardo citou ainda a importância do patrimônio moral que a LIT resguarda, assim como os príncípios do marxismo, num momento em que grande parte da esquerda socialista abandona a perspectiva da revolução.
"Esta é a maior homenagem que podemos fazer a Nahuel Moreno", discursou Eduardo Barragán, da direção do PSTU argentino. Barragán citou as atuais lutas dos trabalhadores europeus e as revoluções do Norte da África, que mostram hoje mais do que nunca a necessidade do internacionalismo e de uma direção revolucionária que permita que a classe operária "golpeia como um só homem a ofensiva do imperialismo e os ataques da burguesia".
Vera Lúcia, do PSTU de Aracaju, emocionou a todos falando sobre a necessidade da luta contra as opressões. "Gostaria de estar falando espanhol aqui, mas eu, assim como grande parte da classe trabalhadora, não tive condições de ter instrução", disse, enfatizando a condição de superexploração a que estão submetidas as mulheres, negras e lésbicas. Ao final de sua fala, todos puxaram um coro: "A nossa luta/é todo dia/contra o machismo, o racismo e a homofobia".
O final do ato ficou por conta de Angel Luís Parras, o Cabeças, da direção do Corriente Roja da Espanha e da LIT. "A situação atual é muito complicada, mas muito apaixonante", afirmou."Temos assistido a explosão das revoluções do Norte da África e Oriente, fruto da crise econômica e ascenso popular, mas também fruto dessa mudança que foi o fim do aparato estalinista. Submetidos à miséria e à ditadura, os povos irromperam o cenário político", citando a crise na Europa e as revoluções do Norte da África.
Cabeças atacou a posição de grande parte da esquerda e do castro-chavismo, de apoio ao ditador Assad na Síria. "Dizem que há uma unidade de ação entre os rebeldes e o imperialismo. Mas claro que houve. A mesma unidade de ação que houve no desembarque dos aliados na Normandia e os partisanos contra Mussolini".
"Neste ato, queremos enviar uma saudação a nossos detratores: sigam convocando atos em defesa de Assad, pois a LIT continuará na resistência" provocou Cabeças.
Cabeças finalizou citando a fé revolucionária que a LIT mantém na classe operária, a mesma esperança que a permitiu passar por crises e dificuldades, e que a possibilita agora, em plena crise do capitalismo, crescer e se fortalecer em vários países do mundo.
Veja os vídeos do Ato e entrevistas com militantes de vários países:
www.youtube.com/PortaldoPSTU
Veja as fotos do Ato: www.facebook.com/media/set/?set=a.378617748895528.90461.207518726005432&type=3
Um ato que já começou arrancando lágrimas dos presentes. Após a exibição de um vídeo resumo do documentário sobre a história da LIT, bandeiras dos partidos que compõem a Liga entraram no salão, sendo agitadas sob os aplausos das centenas de pessoas, entre argentinos, brasileiros, chilenos, colombianos, e ativistas de várias nacionalidades que convergiram a Buenos Aires nesse 1 de dezembro.
Logo no início do ato, a ativista palestina radicada no Brasil, Soraya Misleh, anunciou a sua filiação ao PSTU e à LIT. Não conseguindo conter as lágrimas, Soraya disse que já começou a se emocionar assim que chegou ao aeroporto, para ir a Buenos Aires. "Encontrei uma palestina de Gaza e uma companheira da Cisjordânia, e esse encontro nunca seria possível, pois quem está em Gaza não pode visitar a Cisjordânia e eu não posso ir a Palestina pois estou na luta".
Soraya falou sobre a luta e os desafios do povo palestino: "O futuro da Palestina está nas mãos da juventude, mas ainda falta uma direção revolucionária". Também tocou no tema das revoluções árabes, cujo pólo principal hoje é a revolução síria. "O caminho da libertação da Palestina passa pela revolução árabe e a queda de Bashar Al Assad será um grande passo nesse sentido".
Eduardo Almeida, da direção do PSTU brasileiro, lembrou de um outro momento, também em Buenos Aires, há 25 anos atrás, quando da morte de Moreno e do início da crise que abalou a LIT. "Estávamos tristes, mas hoje estamos em Buenos Aires e estamos felizes". Eduardo citou o processo de fortalecimento da LIT e a expansão da Liga para os países da Europa, como Portugal Itália e Espanha e a intervenção desses partidos no atual processo de mobilização contra os planos de austeridade.
Eduardo citou ainda a importância do patrimônio moral que a LIT resguarda, assim como os príncípios do marxismo, num momento em que grande parte da esquerda socialista abandona a perspectiva da revolução.
"Esta é a maior homenagem que podemos fazer a Nahuel Moreno", discursou Eduardo Barragán, da direção do PSTU argentino. Barragán citou as atuais lutas dos trabalhadores europeus e as revoluções do Norte da África, que mostram hoje mais do que nunca a necessidade do internacionalismo e de uma direção revolucionária que permita que a classe operária "golpeia como um só homem a ofensiva do imperialismo e os ataques da burguesia".
Vera Lúcia, do PSTU de Aracaju, emocionou a todos falando sobre a necessidade da luta contra as opressões. "Gostaria de estar falando espanhol aqui, mas eu, assim como grande parte da classe trabalhadora, não tive condições de ter instrução", disse, enfatizando a condição de superexploração a que estão submetidas as mulheres, negras e lésbicas. Ao final de sua fala, todos puxaram um coro: "A nossa luta/é todo dia/contra o machismo, o racismo e a homofobia".
O final do ato ficou por conta de Angel Luís Parras, o Cabeças, da direção do Corriente Roja da Espanha e da LIT. "A situação atual é muito complicada, mas muito apaixonante", afirmou."Temos assistido a explosão das revoluções do Norte da África e Oriente, fruto da crise econômica e ascenso popular, mas também fruto dessa mudança que foi o fim do aparato estalinista. Submetidos à miséria e à ditadura, os povos irromperam o cenário político", citando a crise na Europa e as revoluções do Norte da África.
Cabeças atacou a posição de grande parte da esquerda e do castro-chavismo, de apoio ao ditador Assad na Síria. "Dizem que há uma unidade de ação entre os rebeldes e o imperialismo. Mas claro que houve. A mesma unidade de ação que houve no desembarque dos aliados na Normandia e os partisanos contra Mussolini".
"Neste ato, queremos enviar uma saudação a nossos detratores: sigam convocando atos em defesa de Assad, pois a LIT continuará na resistência" provocou Cabeças.
Cabeças finalizou citando a fé revolucionária que a LIT mantém na classe operária, a mesma esperança que a permitiu passar por crises e dificuldades, e que a possibilita agora, em plena crise do capitalismo, crescer e se fortalecer em vários países do mundo.
Veja os vídeos do Ato e entrevistas com militantes de vários países:
www.youtube.com/PortaldoPSTU
Veja as fotos do Ato: www.facebook.com/media/set/?set=a.378617748895528.90461.207518726005432&type=3
segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
A revolução Síria: não perguntes por quem os os sinos dobram
Valerio Arcary
“Nenhum
homem é uma ilha, isolado em si mesmo (…) E por isso não perguntes por
quem os sinos dobram; eles dobram por ti.” (John Donne)
“Será necessário que
se reúnam condições completamente excepcionais, independentes da
vontade dos homens ou dos partidos, para libertar o descontentamento das
cadeias do conservadorismo e levar as massas à insurreição. Portanto,
essas mudanças rápidas que as idéias e o estado de espírito das massas
vivem nas épocas revolucionárias não são um produto da elasticidade e
mobilidade da psíque humana, mas, ao contrário, de seu profundo
conservadorismo(…) As distintas etapas do processo revolucionário,
consolidadas pelo deslocamento de uns partidos por outros, cada vez más
radicais, sinalizam a pressão crescente das massas para a esquerda, até
que o impulso adquirido pelo movimento tropeça com obstáculos
objetivos. Então começa a reação: decepção de certos setores da classe
revolucionária, difusão da apatia.” (Leon Trotsky)
O ano de 2011 inaugurou uma nova situação internacional com a onda de revoluções políticas no Magreb, transbordando em poucos meses para os países de língua árabe do Oriente Médio. Quando uma ordem econômica, social e política revela incapacidade para realizar mudanças por métodos de negociação, concertação ou reformas, as forças sociais interessadas em resolver a crise de forma progressiva recorrem aos métodos da revolução para impôr a satisfação de suas reivindicações. Essa foi a forma que assumiu a defesa de interesses de classe na história contemporânea.
Duas conclusões se impõem de forma irrefutável ao final de quase dois anos. Primeiro, o que aconteceu nas ruas de Túnis e Cairo, depois na Líbia, Bahrein, Yemen, e Síria, merece ser considerado como revolução no sentido pleno do conceito: uma irrupção representativa da vontade popular, com o objetivo de derrubar ditaduras corrompidas, regimes monstruosos de frações degeneradas de burguesias nacionais instaladas no poder há décadas.
Segundo, o processo revolucionário se estendeu na forma de uma vaga sincronizada que foi contaminando, em maior ou menor medida, a maioria dos países da região, pelo efeito arrebatador do exemplo das vitórias fulminantes na Tunísia e Egito. Que na Líbia e Síria a dinâmica do processo tenha evoluído para uma guerra civil nos diz mais sobre a contra-revolução do que sobre a revolução. Uma revolução que luta com armas nas mãos não é menos legítima, é mais heroica. Na Síria não está somente em disputa o destino da ditadura do clã Assad. Nas ruas de Damasco estão se dando neste momento combates cruciais para o futuro da revolução mundial.
Uma contra-revolução mundial
Já se disse que as próximas revoluções serão sempre mais difíceis que as últimas, porque a contra-revolução aprende depressa. A contra-revolução burguesa foi um dos fenômenos de dimensão mundial do século XX. As revoluções contemporâneas manifestam-se como revoluções na esfera nacional, mas esta aparência é uma ilusão de ótica que remete à centralidade da luta política imediata contra o Estado. As revoluções do século XX não enfrentaram somente os seus inimigos nacionais imediatos, mas a contra-revolução à escala internacional. As do século XXI terão desafios ainda mais complexos, e o primeiro deles é a necessidade do internacionalismo.
Os Estados se definem pela vigência das fronteiras nacionais, todavia a dominação mundial capitalista foi se estruturando, crescentemente, sobre uma institucionalidade mundial: o sistema internacional de Estados, ou seja, ONU, a Tríade (Estados Unidos, União Européia, Japão), o Fundo Monetário Internacional (FMI), o G-8, o G-20, o Banco Mundial, o Banco de Compensações Internacionais de Basileia, etc.
As revoluções contemporâneas estiveram inseridas, desde o fim da Primeira Guerra Mundial, em contextos, pelo menos, regionais, ou semi-continentais, e assumiram a forma de ondas de expansão que cruzaram mais ou menos rapidamente as fonteiras nacionais. Por isso as revoluções contemporâneas merecem ser caracterizadas como processos de refração da revolução mundial.
A revolução mais recente pode ser interpretada, portanto, como “o futuro de um passado”, e começa onde a última foi interrompida. O ano de 2012 foi o ano em que a revolução na Síria chegou à sua hora decisiva. Combates se travam diariamente nas ruas de Damasco. Esta revolução incompreendida pela maioria da esquerda brasileira vive as suas horas decisivas. A solidariedade maior a Gaza durante as duas últimas semanas de novembro de 2012 demonstrou que está aumentando o isolamento político de Israel, e potencializando a resistência palestina. Os governos da França e Reino Unido se apressam a compreender a nova relação de forças e sinalizam a disposição de votar a favor de um novo estatuto para a Autoridade Palestina na ONU, contrariando o alinhamento incondicional dos Estados Unidos com Israel. A queda de Kadafi, portanto, não diminuiu a disposição de apoio à causa palestina na Líbia, ao contrário, aumentou. Não será diferente na Síria.
Fevereiros heróicos, mas intervalos mais longos até Outubros
Mas afirmar que têm sido revoluções políticas democráticas significa dizer, também, que não só não realizaram rupturas anticapitalistas, como destacar que a participação política dos trabalhadores não ocorreu ainda, predominantemente, de forma independente. Ou seja, remetendo a uma metáfora histórica ancorada na experiência da revolução russa, estamos diante de Fevereiros muito difíceis que sugerem ainda um longo intervalo antes que possam ocorrer Outubros.
Estas formas da revolução árabe não foram, historicamente, incomuns. As ditaduras do Cone Sul da América Latina – Argentina, Uruguay e Brasil – foram, também, desafiadas por mobilizações de massas entre 1982/1984. Estes processos sugerem que existe um padrão recorrente, se analisarmos a dinâmica política da época contemporânea. Parecem corresponder a duas regularidades:
(a) regimes ditatoriais em países periféricos em processo de urbanização podem se manter no poder, até por algumas décadas, mas serão derrubados por revoluções democráticas, mais cedo ou mais tarde, pelo surgimento de um bloco social muito mais poderoso do que a oligarquia arcaica que os sustentou: um proletariado e uma classe média asssalariada plebéia massiva. A questão decisiva é se este bloco é dirigido pelo proletariado ou por frações burguesas dissidentes e seus aliados internacionais;
(b) o efeito exemplo do triunfo de uma revolução democrática, em uma época histórica em que a informação circula quase instantaneamente, acelerou a experiência política de massas, e funcionou como um gatilho que incendiou os países da região vizinha, produzindo uma internacionalização rápida da revolução.
A urgência da revolução
A história, contudo, não é sujeito, mas processo. O seu conteúdo é uma luta. Essa luta assume variadas intensidades. A revolução política é uma dessas formas, e a frequência maior ou menor em que ela se manifesta é um indicador do período histórico. Todas as revoluções contemporâneas tiveram uma dinâmica anticapitalista, maior ou menor, mas não foram todas elas revoluções, socialmente, proletárias. Todas as revoluções socialistas da história começaram como revoluções políticas, ou como revoluções democráticas, mas nem todas as revoluções democráticas transbordaram em revoluções sociais.
Estará em disputa a possibilidade da revolução no norte da África e do Oriente Médio abrir o caminho para segundas independências, com todas as sequelas que teria a perda de controle do imperialismo sobre as maiores fontes de abastecimento de petróleo, mas, também, a destruição das políticas públicas de bem estar social que ainda estão de pé na Europa Ocidental, ou a redução da Grécia, Portugal e, talvez, até da Espanha à condição de semi-colônias do eixo franco-alemão na União Européia.
O que condicionou, historicamente, a possibilidade de revoluções foi a pressão objetiva de crises de dimensões catastróficas. Mas, só a existência de crises nunca foi o bastante para que se iniciassem processos revolucionários.
Foi indispensável, igualmente, que a mentalidade de milhões de pessoas fosse sacudida pela experiência terrível de que não existiria mais esperança em saídas individuais. Somente quando a nova geração acordou para a inescapável constatação de que teria que aceitar condições de sobrevivência inferiores às dos seus pais, ou seja, somente quando o que era inacreditável em condições normais se impôs de forma incontornável, se precipitaram situações revolucionárias. A urgência da revolução voltou a ter significado político imediato. Mas não autoriza a conclusão de que o socialismo está mais perto. A luta pelo socialismo requer mais do que ações revolucionários contra o governo e regime no poder: exige protagonismo proletário independente e projeto internacionalista.
Convergência: pensamento socialista em movimento
LEIA MAIS:
A teoria marxista do colapso do capitalismo mantém atualidade?
Duas conclusões se impõem de forma irrefutável ao final de quase dois anos. Primeiro, o que aconteceu nas ruas de Túnis e Cairo, depois na Líbia, Bahrein, Yemen, e Síria, merece ser considerado como revolução no sentido pleno do conceito: uma irrupção representativa da vontade popular, com o objetivo de derrubar ditaduras corrompidas, regimes monstruosos de frações degeneradas de burguesias nacionais instaladas no poder há décadas.
Segundo, o processo revolucionário se estendeu na forma de uma vaga sincronizada que foi contaminando, em maior ou menor medida, a maioria dos países da região, pelo efeito arrebatador do exemplo das vitórias fulminantes na Tunísia e Egito. Que na Líbia e Síria a dinâmica do processo tenha evoluído para uma guerra civil nos diz mais sobre a contra-revolução do que sobre a revolução. Uma revolução que luta com armas nas mãos não é menos legítima, é mais heroica. Na Síria não está somente em disputa o destino da ditadura do clã Assad. Nas ruas de Damasco estão se dando neste momento combates cruciais para o futuro da revolução mundial.
Uma contra-revolução mundial
Já se disse que as próximas revoluções serão sempre mais difíceis que as últimas, porque a contra-revolução aprende depressa. A contra-revolução burguesa foi um dos fenômenos de dimensão mundial do século XX. As revoluções contemporâneas manifestam-se como revoluções na esfera nacional, mas esta aparência é uma ilusão de ótica que remete à centralidade da luta política imediata contra o Estado. As revoluções do século XX não enfrentaram somente os seus inimigos nacionais imediatos, mas a contra-revolução à escala internacional. As do século XXI terão desafios ainda mais complexos, e o primeiro deles é a necessidade do internacionalismo.
Os Estados se definem pela vigência das fronteiras nacionais, todavia a dominação mundial capitalista foi se estruturando, crescentemente, sobre uma institucionalidade mundial: o sistema internacional de Estados, ou seja, ONU, a Tríade (Estados Unidos, União Européia, Japão), o Fundo Monetário Internacional (FMI), o G-8, o G-20, o Banco Mundial, o Banco de Compensações Internacionais de Basileia, etc.
As revoluções contemporâneas estiveram inseridas, desde o fim da Primeira Guerra Mundial, em contextos, pelo menos, regionais, ou semi-continentais, e assumiram a forma de ondas de expansão que cruzaram mais ou menos rapidamente as fonteiras nacionais. Por isso as revoluções contemporâneas merecem ser caracterizadas como processos de refração da revolução mundial.
A revolução mais recente pode ser interpretada, portanto, como “o futuro de um passado”, e começa onde a última foi interrompida. O ano de 2012 foi o ano em que a revolução na Síria chegou à sua hora decisiva. Combates se travam diariamente nas ruas de Damasco. Esta revolução incompreendida pela maioria da esquerda brasileira vive as suas horas decisivas. A solidariedade maior a Gaza durante as duas últimas semanas de novembro de 2012 demonstrou que está aumentando o isolamento político de Israel, e potencializando a resistência palestina. Os governos da França e Reino Unido se apressam a compreender a nova relação de forças e sinalizam a disposição de votar a favor de um novo estatuto para a Autoridade Palestina na ONU, contrariando o alinhamento incondicional dos Estados Unidos com Israel. A queda de Kadafi, portanto, não diminuiu a disposição de apoio à causa palestina na Líbia, ao contrário, aumentou. Não será diferente na Síria.
Fevereiros heróicos, mas intervalos mais longos até Outubros
Mas afirmar que têm sido revoluções políticas democráticas significa dizer, também, que não só não realizaram rupturas anticapitalistas, como destacar que a participação política dos trabalhadores não ocorreu ainda, predominantemente, de forma independente. Ou seja, remetendo a uma metáfora histórica ancorada na experiência da revolução russa, estamos diante de Fevereiros muito difíceis que sugerem ainda um longo intervalo antes que possam ocorrer Outubros.
Estas formas da revolução árabe não foram, historicamente, incomuns. As ditaduras do Cone Sul da América Latina – Argentina, Uruguay e Brasil – foram, também, desafiadas por mobilizações de massas entre 1982/1984. Estes processos sugerem que existe um padrão recorrente, se analisarmos a dinâmica política da época contemporânea. Parecem corresponder a duas regularidades:
(a) regimes ditatoriais em países periféricos em processo de urbanização podem se manter no poder, até por algumas décadas, mas serão derrubados por revoluções democráticas, mais cedo ou mais tarde, pelo surgimento de um bloco social muito mais poderoso do que a oligarquia arcaica que os sustentou: um proletariado e uma classe média asssalariada plebéia massiva. A questão decisiva é se este bloco é dirigido pelo proletariado ou por frações burguesas dissidentes e seus aliados internacionais;
(b) o efeito exemplo do triunfo de uma revolução democrática, em uma época histórica em que a informação circula quase instantaneamente, acelerou a experiência política de massas, e funcionou como um gatilho que incendiou os países da região vizinha, produzindo uma internacionalização rápida da revolução.
A urgência da revolução
A história, contudo, não é sujeito, mas processo. O seu conteúdo é uma luta. Essa luta assume variadas intensidades. A revolução política é uma dessas formas, e a frequência maior ou menor em que ela se manifesta é um indicador do período histórico. Todas as revoluções contemporâneas tiveram uma dinâmica anticapitalista, maior ou menor, mas não foram todas elas revoluções, socialmente, proletárias. Todas as revoluções socialistas da história começaram como revoluções políticas, ou como revoluções democráticas, mas nem todas as revoluções democráticas transbordaram em revoluções sociais.
Estará em disputa a possibilidade da revolução no norte da África e do Oriente Médio abrir o caminho para segundas independências, com todas as sequelas que teria a perda de controle do imperialismo sobre as maiores fontes de abastecimento de petróleo, mas, também, a destruição das políticas públicas de bem estar social que ainda estão de pé na Europa Ocidental, ou a redução da Grécia, Portugal e, talvez, até da Espanha à condição de semi-colônias do eixo franco-alemão na União Européia.
O que condicionou, historicamente, a possibilidade de revoluções foi a pressão objetiva de crises de dimensões catastróficas. Mas, só a existência de crises nunca foi o bastante para que se iniciassem processos revolucionários.
Foi indispensável, igualmente, que a mentalidade de milhões de pessoas fosse sacudida pela experiência terrível de que não existiria mais esperança em saídas individuais. Somente quando a nova geração acordou para a inescapável constatação de que teria que aceitar condições de sobrevivência inferiores às dos seus pais, ou seja, somente quando o que era inacreditável em condições normais se impôs de forma incontornável, se precipitaram situações revolucionárias. A urgência da revolução voltou a ter significado político imediato. Mas não autoriza a conclusão de que o socialismo está mais perto. A luta pelo socialismo requer mais do que ações revolucionários contra o governo e regime no poder: exige protagonismo proletário independente e projeto internacionalista.
Convergência: pensamento socialista em movimento
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sexta-feira, 30 de novembro de 2012
História da LIT-QI é lançada em vídeo
Em janeiro de 1982 era fundada a Liga Internacional dos Trabalhadores - Quarta Internacional, numa época de grandes convulsões da luta de classes – revolução sandinista, no Irã, revolução política na Polônia, vitória do “socialista” Mitterrand na França, crise econômica mundial. Quais motivos levaram um “punhado” de representantes de vários países a se reunir numa conferência e fundar uma nova organização trotskista internacional? Quem participou, quais países, quais foram as principais decisões?
Em 1985 foi realizado o primeiro congresso da LIT, o único que teve a participação de Nahuel Moreno, o fundador da corrente que passaria a ser conhecida como “morenista”. O que disse Moreno neste congresso? Qual avaliação a LIT fazia da conjuntura mundial de então? Como estavam os partidos da LIT pelo mundo?
Em 2010 é realizado o XX Congresso. Quase 30 anos haviam passado desde sua fundação. Neste período a Liga Internacional conheceria períodos importantes de crescimento de seus partidos, que chegou a ter no MAS (Argentina) o maior partido trotskista do mundo, e períodos de muita crise, como a que quase fez a organização desaparecer nos anos 90, período em que a restauração capitalista nos antigos estados operários confundiu a maior parte da esquerda, com a dissolução da antiga URSS. Mas as bases fundacionais da LIT-CI eram sólidas e ela se reconstruiu e hoje numa nova situação mundial, vive um período de desenvolvimento, com partidos que se inserem na realidade viva da luta de classes na América Latina e na Europa e no qual enfrenta grandes e novos desafios.
Toda esta rica história pode ser agora vista em um vídeo, produzido pela equipe de comunicação do PSTU (Brasil) – sob a coordenação de Lu Cândido – que conta em 46 minutos os fatos que levaram à fundação da LIT-QI, sua evolução, seus “altos e baixos” e o resultado desta luta que leva 30 anos, para a construção de uma internacional centralizada democraticamente, com congressos regulares e direção eleita pelos delegados presentes e que tem o objetivo estratégico de reconstruir a Quarta Internacional tal como fora idealizada por Leon Trotsky: o partido mundial da revolução socialista.
Um trailer do vídeo (que você pode assistir aqui) será apresentado no Ato Internacional de comemoração dos 30 anos da LIT-QI, a ser realizado neste 1º de dezembro em Buenos Aires, quando será iniciada a vendagem do vídeo, narrado em duas línguas – português e espanhol.
Não deixe de adquirir sua cópia, que pode ser encontrada nas sedes e com os militantes dos partidos aderentes à LIT-QI em seu país.
LEIA MAIS:
Ato dos 30 anos da LIT será transmitido ao vivo
Em 1985 foi realizado o primeiro congresso da LIT, o único que teve a participação de Nahuel Moreno, o fundador da corrente que passaria a ser conhecida como “morenista”. O que disse Moreno neste congresso? Qual avaliação a LIT fazia da conjuntura mundial de então? Como estavam os partidos da LIT pelo mundo?
Em 2010 é realizado o XX Congresso. Quase 30 anos haviam passado desde sua fundação. Neste período a Liga Internacional conheceria períodos importantes de crescimento de seus partidos, que chegou a ter no MAS (Argentina) o maior partido trotskista do mundo, e períodos de muita crise, como a que quase fez a organização desaparecer nos anos 90, período em que a restauração capitalista nos antigos estados operários confundiu a maior parte da esquerda, com a dissolução da antiga URSS. Mas as bases fundacionais da LIT-CI eram sólidas e ela se reconstruiu e hoje numa nova situação mundial, vive um período de desenvolvimento, com partidos que se inserem na realidade viva da luta de classes na América Latina e na Europa e no qual enfrenta grandes e novos desafios.
Toda esta rica história pode ser agora vista em um vídeo, produzido pela equipe de comunicação do PSTU (Brasil) – sob a coordenação de Lu Cândido – que conta em 46 minutos os fatos que levaram à fundação da LIT-QI, sua evolução, seus “altos e baixos” e o resultado desta luta que leva 30 anos, para a construção de uma internacional centralizada democraticamente, com congressos regulares e direção eleita pelos delegados presentes e que tem o objetivo estratégico de reconstruir a Quarta Internacional tal como fora idealizada por Leon Trotsky: o partido mundial da revolução socialista.
Um trailer do vídeo (que você pode assistir aqui) será apresentado no Ato Internacional de comemoração dos 30 anos da LIT-QI, a ser realizado neste 1º de dezembro em Buenos Aires, quando será iniciada a vendagem do vídeo, narrado em duas línguas – português e espanhol.
Não deixe de adquirir sua cópia, que pode ser encontrada nas sedes e com os militantes dos partidos aderentes à LIT-QI em seu país.
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quinta-feira, 15 de novembro de 2012
Dia de greve geral mobiliza trabalhadores de 23 países da Europa
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| 14N Huelga General - plaza Colón, Madrid! |
Greve contra os cortes da troika e a política de austeridade dos governos é forte em Portugal, no Estado Espanhol, e atinge também Grécia e Itália
• O dia de greve geral unificada na Europa neste 14 de novembro já pode ser considerado um marco na luta dos trabalhadores europeus contra a política de cortes e austeridade imposta pela troika (Banco Central Europeu, FMI e Comissão Europeia). Inicialmente convocada em Portugal, ela teve adesão no Estado Espanhol e posteriormente na Grécia, que realizou greve parcial de 3 horas, e Itália (que paralisou por 4 horas). O 14-N contou ainda com mobilizações na Inglaterra, França e em pelo menos 23 países do continente.
Maior greve de Portugal
Em Portugal, a CGTP (Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses) estima que o 14-N tenha sido “uma das maiores greves gerais já realizadas” no país. Apesar da outra grande central no país, a UGT, ter se negado a convocar a greve, vários sindicatos da base aderiram à paralisação contra os cortes do governo de Passos Coelho.
Como ocorre tradicionalmente, o setor dos transportes foi a vanguarda da greve, que teve também a participação dos trabalhadores bancários, o que não havia acontecido nas greves anteriores. Os serviços públicos, escolas e universidades também pararam quase que completamente no país. Cerca de 200 vôos foram cancelados devido à greve. Ao final do dia, a polícia reprimiu violentamente os manifestantes que protestavam próximo ao Parlamento.
A greve geral em Portugal ocorre no mesmo dia em que é anunciado o mais novo recorde nos índices de desemprego do país, de 15,8% da população. Entre os jovens (entre 15 e 24 anos), essa situação é ainda mais dramática, atingindo 39% dos portugueses. Apesar disso, o governo aprofunda sua política de cortes e flexibilização de direitos.
Mobilização e repressão no Estado Espanhol
O 14-N começou forte também no Estado Espanhol. As centrais sindicais estimam a adesão à greve geral em mais de 75%, o que significa quase seis milhões de trabalhadores de braços cruzados em todo o país. A paralisação atingiu principalmente a grande indústria, com impactos importantes na siderurgia, indústria química e construção. O setor dos transportes e público também parou. Pelo menos 202 vôos foram cancelados.
A greve geral no Estado Espanhol se enfrentou com a repressão policial, como em Madri e Barcelona, com o saldo de 82 feridos e 34 detidos até o fechamento desse texto.
Enquanto as centrais sindicais CCOO (Comisiones Obreras) e UGT (Union General de Trabajadores) reivindicam um programa rebaixado, como a convocação de um referendo sobre os cortes e a exigência de uma “negociação” entre o governo de Mariano Rajoy e o congresso, o sindicalismo classista e alternativo se lança à greve exigindo o não pagamento da dívida, o fim dos cortes, não ao pacto social e a “demissão” do governo.
Em Madri, a plataforma "Toma la Huelga" (que reúne grupos como o 15-M e a coordenação do 25-S) fez um chamado para que a greve não se limite aos locais de trabalho, mas para que se ampliem e parem toda a cidade. A convocatória insta ainda o cercamento do Congresso no final do dia.
Mobilizações estudantis e repressão na Itália
O dia foi também de fortes protestos na Itália. Milhares de estudantes foram às ruas contra os cortes na Educação em 87 cidades no país. Houve repressão e enfrentamentos com a polícia em cidades como Roma, Turín e Milão.
Apesar das limitações e bloqueios interpostos pelas burocracias das cúpulas sindicais, o 14-N representa a primeira ação de resistência articulado e unificado entre os países da Europa, colocando a resposta dos trabalhadores à crise num novo e inédito patamar.
LEIA MAIS
Valério Arcary escreve sobre o 14-N: o dia em que o internacionalismo ressurge como força social e política
Trabalhadores de vários países da América do Sul manifestam-se em apoio ao 14N
www.litci.org/pt
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| Greve geral parou Portugal nesse 14 de novembro |
Maior greve de Portugal
Em Portugal, a CGTP (Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses) estima que o 14-N tenha sido “uma das maiores greves gerais já realizadas” no país. Apesar da outra grande central no país, a UGT, ter se negado a convocar a greve, vários sindicatos da base aderiram à paralisação contra os cortes do governo de Passos Coelho.
Como ocorre tradicionalmente, o setor dos transportes foi a vanguarda da greve, que teve também a participação dos trabalhadores bancários, o que não havia acontecido nas greves anteriores. Os serviços públicos, escolas e universidades também pararam quase que completamente no país. Cerca de 200 vôos foram cancelados devido à greve. Ao final do dia, a polícia reprimiu violentamente os manifestantes que protestavam próximo ao Parlamento.
A greve geral em Portugal ocorre no mesmo dia em que é anunciado o mais novo recorde nos índices de desemprego do país, de 15,8% da população. Entre os jovens (entre 15 e 24 anos), essa situação é ainda mais dramática, atingindo 39% dos portugueses. Apesar disso, o governo aprofunda sua política de cortes e flexibilização de direitos.
Mobilização e repressão no Estado Espanhol
O 14-N começou forte também no Estado Espanhol. As centrais sindicais estimam a adesão à greve geral em mais de 75%, o que significa quase seis milhões de trabalhadores de braços cruzados em todo o país. A paralisação atingiu principalmente a grande indústria, com impactos importantes na siderurgia, indústria química e construção. O setor dos transportes e público também parou. Pelo menos 202 vôos foram cancelados.
A greve geral no Estado Espanhol se enfrentou com a repressão policial, como em Madri e Barcelona, com o saldo de 82 feridos e 34 detidos até o fechamento desse texto.
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| Repressão a protesto em Madri |
Enquanto as centrais sindicais CCOO (Comisiones Obreras) e UGT (Union General de Trabajadores) reivindicam um programa rebaixado, como a convocação de um referendo sobre os cortes e a exigência de uma “negociação” entre o governo de Mariano Rajoy e o congresso, o sindicalismo classista e alternativo se lança à greve exigindo o não pagamento da dívida, o fim dos cortes, não ao pacto social e a “demissão” do governo.
Em Madri, a plataforma "Toma la Huelga" (que reúne grupos como o 15-M e a coordenação do 25-S) fez um chamado para que a greve não se limite aos locais de trabalho, mas para que se ampliem e parem toda a cidade. A convocatória insta ainda o cercamento do Congresso no final do dia.
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| Estudantes promovem marcha em Roma |
Mobilizações estudantis e repressão na Itália
O dia foi também de fortes protestos na Itália. Milhares de estudantes foram às ruas contra os cortes na Educação em 87 cidades no país. Houve repressão e enfrentamentos com a polícia em cidades como Roma, Turín e Milão.
Apesar das limitações e bloqueios interpostos pelas burocracias das cúpulas sindicais, o 14-N representa a primeira ação de resistência articulado e unificado entre os países da Europa, colocando a resposta dos trabalhadores à crise num novo e inédito patamar.
LEIA MAIS
Valério Arcary escreve sobre o 14-N: o dia em que o internacionalismo ressurge como força social e política
Trabalhadores de vários países da América do Sul manifestam-se em apoio ao 14N
www.litci.org/pt
segunda-feira, 12 de novembro de 2012
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
Ativista da Revolução Síria Sara Al Suri fala sobre a ditadura de Bashir Al Assad
Ativista da revolução síria faz maratona de debates pelo país
A militante da revolução síria Sara Al Suri está no país e vai participar de uma série de debates sobre a insurreição que enfrenta a ditadura de Bashir Al Assad. Sara vai relatar a luta do povo sírio contra a ditadura, o massacre perpetrado pela família Assad, além do caráter e das polêmicas que rondam a oposição síria e o Exército Livre da Síria.
O tema da revolução síria está sendo alvo de polêmicas na esquerda mundial, já que uma parcela importante como o castro-chavismo e setores islâmicos como o Hezbollah, prestam apoio à ditadura. Ou seja, além da dura repressão da ditadura Assad, os ativistas sírios enfrentam um lamentável isolamento na esquerda mundial.
Convidada pela CSP-Conlutas e outras entidades, Sara vai estar no próximo dia 8 de novembro no Rio de Janeiro, dia 9 em Belo Horizonte, e dia 10 em São Paulo. No dia 13 participa de um debate em São JOsé dos Campos (SP) e dia 17 da Assembleia nacional da ANEL, em Maceió.
Outras atividades ainda estão sendo agendadas.
Confira a programação:
(Última atualização 07/11)
LEIA MAIS
As mulheres na Síria revolucionária lutam para ter direitos
LIT: Diante da guerra civil é urgente derrubar o regime assassino de Assad
A militante da revolução síria Sara Al Suri está no país e vai participar de uma série de debates sobre a insurreição que enfrenta a ditadura de Bashir Al Assad. Sara vai relatar a luta do povo sírio contra a ditadura, o massacre perpetrado pela família Assad, além do caráter e das polêmicas que rondam a oposição síria e o Exército Livre da Síria.
O tema da revolução síria está sendo alvo de polêmicas na esquerda mundial, já que uma parcela importante como o castro-chavismo e setores islâmicos como o Hezbollah, prestam apoio à ditadura. Ou seja, além da dura repressão da ditadura Assad, os ativistas sírios enfrentam um lamentável isolamento na esquerda mundial.
Convidada pela CSP-Conlutas e outras entidades, Sara vai estar no próximo dia 8 de novembro no Rio de Janeiro, dia 9 em Belo Horizonte, e dia 10 em São Paulo. No dia 13 participa de um debate em São JOsé dos Campos (SP) e dia 17 da Assembleia nacional da ANEL, em Maceió.
Outras atividades ainda estão sendo agendadas.
Confira a programação:
- Dia 8 de novembro, Rio de Janeiro: O debate ocorre às 18h30 na rua Joaquim Silva, 98-A, sede do Sindsprev-RJ.
- Dia 9 de novembro, Belo Horizonte: Na capital mineira, o debate ocorre às 11h na Fafich (UFMG) e às 19h, no Sind-Rede, na Av. Amazonas 491, 10º andar, no centro.
- Dia 10 de novembro, em São Paulo, durante a reunião estadual da CSP-Conlutas
- Dia 13 de novembro o debate ocorre em São José dos Campos
- Dia 17 em Maceió Durante a Assembleia Nacional da ANEL. Universidade Federal de Alagoas- (UFAL)
- De 19 a 23/11 - Nordeste
- Dias 27 e 28/11 – Brasília
- De 29/11 a 03/12 – Porto Alegre: Fórum Social Mundial / Palestina
- Dia 4/12 – Florianópolis (SC)
- Dia 5/12 – Curitiba (PR)
- Dias 10 a 13/12 – Região Norte, incluindo o Maranhão (NE)
(Última atualização 07/11)
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As mulheres na Síria revolucionária lutam para ter direitos
LIT: Diante da guerra civil é urgente derrubar o regime assassino de Assad
quinta-feira, 25 de outubro de 2012
Uma em cada três oficiais foi estuprada nas Forças Armadas dos EUA
A probabilidade de ser estuprada por companheiros é maior do que a de sofrer um ataque terrorista
A rotina das mulheres norte-americanas que servem nas Forças Armadas é repleta de perigos: elas têm de enfrentar o risco, diariamente, de atentados contra os seus batalhões e bombas plantadas além de outros desafios intrínsecos aos conflitos armados. No entanto, essas militares também sofrem com a violência dentro dos próprios quartéis e muitas vezes, não tem a quem recorrer.
A oficial Rebekah Havrilla conta que já estava preparada psicologicamente para a possibilidade de morrer em um ataque terrorista no Afeganistão, mas não para ser estuprada por muitos de seus colegas e superiores nas bases e campos militares dos EUA. Na primeira vez em que foi assediada, o líder de seu grupo se aproximou por trás, mordeu com força o seu pescoço e disse “Eu quero muito te foder agora”. Dias depois, outro colega a estuprou.
Tia Christopher, que se alistou na Marinha em 2000, passou por uma situação muito similar apenas dois meses depois de ter entrado na organização. Em uma noite quando estava entrando em seu quarto para dormir, um companheiro do batalhão militar invadiu o local e a estuprou, batendo sua cabeça várias vezes contra a parede. Assustada e com apenas 18 anos, a aspirante a oficial se livrou de todas as provas contra o companheiro que continuou a assediá-la.
O caso dessas duas mulheres norte-americanas não é excepcional nem muito diferente de suas companheiras militares. O jornal norte-americano Huffington Post divulgou essa e outras histórias, além de dados sobre a ocorrência de estupros dentro das Forças Armadas dos EUA, em uma reportagem especial neste sábado (06/10).
De acordo com dados do Departamento de Defesa, pelo menos uma em cada três mulheres entre as 207 mil do corpo militar norte-americano já foi vítima de estupro e/ou outros abusos sexuais. O índice de ocorrência é o dobro do que ocorre, em média, na sociedade do país, onde uma em cada seis mulheres já sofreu violência sexual.
Entre outubro de 2010 e setembro de 2011, cerca de 3,2 mil estupros dentro das Forças Armadas dos EUA foram denunciados, mas o Pentágono calcula que dentro deste período, pelo menos 19 mil abusos sexuais entre colegas aconteceram. Apesar de autoridades explicarem que a violência não acontece apenas contra mulheres, o grupo feminino representa a grande maioria.
Isso significa que o risco de uma militar norte-americana ser estuprada no período de um ano dentro das Forças Armadas é 180 vezes maior do que o de ser morta em combate no período de onze anos no Iraque ou no Afeganistão, informou o Huffington Post.
Os dados disponibilizados pelo governo norte-americano também apontam que a maior parte dos estupradores é homem com mais de 25 anos e que possui posição hierárquica mais elevada do que a da vítima. Estas informações explicitam que o caso de Rebekah e Tia longe de serem exceções, representam o padrão da violência dentro das Forças Armadas.
Enfrentando a estrutura
Mesmo triste e assustada, Tia decidiu lavar os lençóis, roupas e tudo o que pudesse indicar que havia sido vítima de estupro. A aspirante a oficial decidiu que não levaria essa história adiante, apesar de saber que o seu colega poderia violenta-la novamente. Ela apenas mudou de ideia, de acordo com entrevista ao Huffington Post, quando soube que este mesmo militar estuprava outras garotas.
Outra oficial tentou desencorajá-la de denunciar o estuprador para seus superiores, mas Tia foi adiante com o seu plano e acabou por esbarrar na estrutura judicial militar. “Então, me diga mais uma vez, qual era a cor da sua calcinha quando você foi estuprada?”, teria perguntado o oficial responsável pela investigação de acordo com sua entrevista ao Huffington Post.
Segundo dados do governo dos EUA do ano 2011, apenas 240 das 3,2 denúncias foram para o tribunal e destas, somente 6% resultaram em sentenças condenatórias. A grande parte dos estupradores condenados teve que pagar multa ou, no pior dos casos, foi rebaixado na carreira.
Em muitos casos, a vítima não denuncia a violência sexual porque a pessoa para quem devem denunciar é o próprio estuprador e em outros, a alta patente do agressor impede a continuidade das investigações. O processo de Claire Russo, que envolveu alto grau de violência, foi interrompido porque os Fuzileiros Navais não gostam de “lavar roupa suja em publico”, informou ela ao Huffington Post.
Em 2004, Claire foi sedada por um capitão que a violentou brutalmente. Segundo informações de seu processo judicial, a oficial tinha hematomas em suas nádegas, vagina e lábio, além de machucados em seu ânus.
“No fim, foi-me dito pelo comando direto que a sodomia – forçada ou não - não é crime segundo o Código Militar de Justiça (UCMJ na sigla em inglês) de modo que eu não poderia prestar queixa”, disse Claire ao Huffington Post.
E o governo?
No dia 27 de setembro, o secretário de Defesa dos EUA, Leon Panetta, ordenou uma mudança no treinamento militar das diferentes corporações que compõem as Forças Armadas. Um de seus objetivos é o de prevenir a violência sexual dentro dos quartéis, que atinge níveis preocupantes em algumas localidades. Não é a primeira vez, no entanto, que o governo tenta acabar com o problema.
Em 2005, o então secretário de Defesa Donald Rumsfeld também exigiu a reformulação dos programas de formação militar. "A meta do Departamento de Defesa é uma cultura livre de abuso sexual, por meio de um ambiente de prevenção, educação e treinamento, de apoio à vítima e de responsabilização apropriada", afirmou o órgão na época. Desde então, milhares de mulheres continuam a ser violentadas pelos próprios oficiais.
A rotina das mulheres norte-americanas que servem nas Forças Armadas é repleta de perigos: elas têm de enfrentar o risco, diariamente, de atentados contra os seus batalhões e bombas plantadas além de outros desafios intrínsecos aos conflitos armados. No entanto, essas militares também sofrem com a violência dentro dos próprios quartéis e muitas vezes, não tem a quem recorrer.
A oficial Rebekah Havrilla conta que já estava preparada psicologicamente para a possibilidade de morrer em um ataque terrorista no Afeganistão, mas não para ser estuprada por muitos de seus colegas e superiores nas bases e campos militares dos EUA. Na primeira vez em que foi assediada, o líder de seu grupo se aproximou por trás, mordeu com força o seu pescoço e disse “Eu quero muito te foder agora”. Dias depois, outro colega a estuprou.
Tia Christopher, que se alistou na Marinha em 2000, passou por uma situação muito similar apenas dois meses depois de ter entrado na organização. Em uma noite quando estava entrando em seu quarto para dormir, um companheiro do batalhão militar invadiu o local e a estuprou, batendo sua cabeça várias vezes contra a parede. Assustada e com apenas 18 anos, a aspirante a oficial se livrou de todas as provas contra o companheiro que continuou a assediá-la.
O caso dessas duas mulheres norte-americanas não é excepcional nem muito diferente de suas companheiras militares. O jornal norte-americano Huffington Post divulgou essa e outras histórias, além de dados sobre a ocorrência de estupros dentro das Forças Armadas dos EUA, em uma reportagem especial neste sábado (06/10).
De acordo com dados do Departamento de Defesa, pelo menos uma em cada três mulheres entre as 207 mil do corpo militar norte-americano já foi vítima de estupro e/ou outros abusos sexuais. O índice de ocorrência é o dobro do que ocorre, em média, na sociedade do país, onde uma em cada seis mulheres já sofreu violência sexual.
Entre outubro de 2010 e setembro de 2011, cerca de 3,2 mil estupros dentro das Forças Armadas dos EUA foram denunciados, mas o Pentágono calcula que dentro deste período, pelo menos 19 mil abusos sexuais entre colegas aconteceram. Apesar de autoridades explicarem que a violência não acontece apenas contra mulheres, o grupo feminino representa a grande maioria.
Isso significa que o risco de uma militar norte-americana ser estuprada no período de um ano dentro das Forças Armadas é 180 vezes maior do que o de ser morta em combate no período de onze anos no Iraque ou no Afeganistão, informou o Huffington Post.
Os dados disponibilizados pelo governo norte-americano também apontam que a maior parte dos estupradores é homem com mais de 25 anos e que possui posição hierárquica mais elevada do que a da vítima. Estas informações explicitam que o caso de Rebekah e Tia longe de serem exceções, representam o padrão da violência dentro das Forças Armadas.
Enfrentando a estrutura
Mesmo triste e assustada, Tia decidiu lavar os lençóis, roupas e tudo o que pudesse indicar que havia sido vítima de estupro. A aspirante a oficial decidiu que não levaria essa história adiante, apesar de saber que o seu colega poderia violenta-la novamente. Ela apenas mudou de ideia, de acordo com entrevista ao Huffington Post, quando soube que este mesmo militar estuprava outras garotas.
Outra oficial tentou desencorajá-la de denunciar o estuprador para seus superiores, mas Tia foi adiante com o seu plano e acabou por esbarrar na estrutura judicial militar. “Então, me diga mais uma vez, qual era a cor da sua calcinha quando você foi estuprada?”, teria perguntado o oficial responsável pela investigação de acordo com sua entrevista ao Huffington Post.
Segundo dados do governo dos EUA do ano 2011, apenas 240 das 3,2 denúncias foram para o tribunal e destas, somente 6% resultaram em sentenças condenatórias. A grande parte dos estupradores condenados teve que pagar multa ou, no pior dos casos, foi rebaixado na carreira.
Em muitos casos, a vítima não denuncia a violência sexual porque a pessoa para quem devem denunciar é o próprio estuprador e em outros, a alta patente do agressor impede a continuidade das investigações. O processo de Claire Russo, que envolveu alto grau de violência, foi interrompido porque os Fuzileiros Navais não gostam de “lavar roupa suja em publico”, informou ela ao Huffington Post.
Em 2004, Claire foi sedada por um capitão que a violentou brutalmente. Segundo informações de seu processo judicial, a oficial tinha hematomas em suas nádegas, vagina e lábio, além de machucados em seu ânus.
“No fim, foi-me dito pelo comando direto que a sodomia – forçada ou não - não é crime segundo o Código Militar de Justiça (UCMJ na sigla em inglês) de modo que eu não poderia prestar queixa”, disse Claire ao Huffington Post.
E o governo?
No dia 27 de setembro, o secretário de Defesa dos EUA, Leon Panetta, ordenou uma mudança no treinamento militar das diferentes corporações que compõem as Forças Armadas. Um de seus objetivos é o de prevenir a violência sexual dentro dos quartéis, que atinge níveis preocupantes em algumas localidades. Não é a primeira vez, no entanto, que o governo tenta acabar com o problema.
Em 2005, o então secretário de Defesa Donald Rumsfeld também exigiu a reformulação dos programas de formação militar. "A meta do Departamento de Defesa é uma cultura livre de abuso sexual, por meio de um ambiente de prevenção, educação e treinamento, de apoio à vítima e de responsabilização apropriada", afirmou o órgão na época. Desde então, milhares de mulheres continuam a ser violentadas pelos próprios oficiais.
Mineradora anuncia demissão de 8.500 mineiros sul-africanos em greve
A companhia mineradora Gold Fields anunciou nesta terça-feira a demissão de 8.500 trabalhadores das minas sul-africanas em KDC East, nas proximidades de Johanesburgo, devido a uma greve ilegal iniciada há dez dias.
Segundo um anúncio da própria empresa, os trabalhadores ignoraram o ultimato lançado na sexta-feira passada para que voltassem ao trabalho hoje.
“Despedimos 8.500 trabalhadores nesta tarde porque não obedeceram ao ultimato que demos na sexta-feira passada”, disse o porta-voz da empresa, Sven Lunsche, à agência de notícias sul-africana “Sapa”.
No entanto, a companhia garantiu que os trabalhadores despedidos têm 24 horas para apresentar recurso para a demissão e esperam que a maioria deles o faça.
Lunsche afirmou, além disso, que não ocorreram incidentes violentos por causa das demissões, mas que a polícia e os responsáveis pela segurança das minas estão em alerta.
A Gold Fields afirmou, além disso, que um tribunal já declarou a greve como ilegal e ordenou que os trabalhadores voltassem a seus postos, e garantiu que fez uma campanha exaustiva para encorajar os mineiros em greve a obedecerem esta ordem.
Há três semanas, outra empresa mineradora, anunciou a demissão de 12 mil trabalhadores das minas de platina em Rustenburgo, que também tinham iniciado uma greve ilegal.
Mineiros de ambas as empresas realizaram um protesto similar ao dos trabalhadores da mina de Lonmin, ocorrido no dia 10 de agosto em Marikana e que resultou em um aumento salarial de 22%, após seis semanas de inatividade.
A sangrenta greve em Marikana, na qual morreram 46 pessoas, 34 delas por disparos da polícia, levou a uma onda de ações sindicais ilegais nas empresas mineradoras da África do Sul, que também se estenderam para o setor de transportes e para uma fábrica de montagem de carros.
O massacre policial de Marikana fez a África do Sul reviver os episódios mais violentos do apartheid, o regime de segregação racial imposto pela minoria branca sul-africana até 1994. O governo estabeleceu uma comissão judicial de investigação sobre os fatos.
Fonte: Agência EFE
Segundo um anúncio da própria empresa, os trabalhadores ignoraram o ultimato lançado na sexta-feira passada para que voltassem ao trabalho hoje.
“Despedimos 8.500 trabalhadores nesta tarde porque não obedeceram ao ultimato que demos na sexta-feira passada”, disse o porta-voz da empresa, Sven Lunsche, à agência de notícias sul-africana “Sapa”.
No entanto, a companhia garantiu que os trabalhadores despedidos têm 24 horas para apresentar recurso para a demissão e esperam que a maioria deles o faça.
Lunsche afirmou, além disso, que não ocorreram incidentes violentos por causa das demissões, mas que a polícia e os responsáveis pela segurança das minas estão em alerta.
A Gold Fields afirmou, além disso, que um tribunal já declarou a greve como ilegal e ordenou que os trabalhadores voltassem a seus postos, e garantiu que fez uma campanha exaustiva para encorajar os mineiros em greve a obedecerem esta ordem.
Há três semanas, outra empresa mineradora, anunciou a demissão de 12 mil trabalhadores das minas de platina em Rustenburgo, que também tinham iniciado uma greve ilegal.
Mineiros de ambas as empresas realizaram um protesto similar ao dos trabalhadores da mina de Lonmin, ocorrido no dia 10 de agosto em Marikana e que resultou em um aumento salarial de 22%, após seis semanas de inatividade.
A sangrenta greve em Marikana, na qual morreram 46 pessoas, 34 delas por disparos da polícia, levou a uma onda de ações sindicais ilegais nas empresas mineradoras da África do Sul, que também se estenderam para o setor de transportes e para uma fábrica de montagem de carros.
O massacre policial de Marikana fez a África do Sul reviver os episódios mais violentos do apartheid, o regime de segregação racial imposto pela minoria branca sul-africana até 1994. O governo estabeleceu uma comissão judicial de investigação sobre os fatos.
Fonte: Agência EFE
segunda-feira, 17 de setembro de 2012
Gays são alvos de milícias e soldados no Iraque pós-Saddam
Autoridades do Iraque têm feito uma "caça às bruxas" contra os homossexuais, com perseguição sistemática e mortal a homens e mulheres, revela uma reportagem investigativa da BBC.
Ativistas dizem que centenas de homossexuais foram mortos nos últimos anos, enquanto o governo, que conta com apoio ocidental, tem ignorado o assunto. Para as Nações Unidas, a negligência quanto à violência torna o Estado iraquiano um dos responsáveis pelos crimes.
A investigação da BBC mostra que no Iraque pós-Saddam Hussein ser homossexual - ou mesmo parecer homossexual - pode significar uma sentença de morte no país.
Em alguns casos, homossexuais foram mortos pelos próprios familiares, nas chamadas "mortes pela honra", ou pela ação de milícias. Mas a perseguição também parece ocorrer sob os mandos de forças de segurança oficiais - ainda que o governo se recuse a admiti-lo.
Dezessete homossexuais entrevistados pela reportagem se disseram perseguidos individualmente, e todos dizem ter amigos ou parceiros mortos.
Ainda que o governo diga que desarticulou milícias que fazem esse tipo de perseguição, um ex-policial, que conversou com a BBC em condição de anonimato, disse ter abandonado a corporação depois de ter recebido ordens diretas para prender dois homossexuais. Um deles foi morto na cidade onde era "procurado".
"Durante a ocupação americana, estávamos muito ocupados. Agora, com tempo livre, a polícia passou a perseguir gays", disse o ex-policial.
Abrigo
Com isso, a comunidade gay do Iraque fica cada vez mais escondida e assustada. Uma vez que um homossexual entra na "lista de procurados", ele ou ela não tem para onde escapar.
Muitos relatam buscas oficiais em suas casas, além de casos de estupro. Outros temem ser identificados nas dezenas de postos de checagem que têm como objetivo garantir a segurança de Bagdá. "Não tenho liberdade. Não posso viver a minha vida", disse um deles à BBC.
Há apenas um abrigo para homossexuais em Bagdá, com capacidade para três pessoas. Outros abrigos foram alvos de ofensivas e fechados pelo governo.
Segundo um relatório de 2009 da ONG Human Rights Watch, é possível que centenas de homossexuais homens tenham sido mortos desde a invasão americana, em 2003.
Mas o Ministério de Direitos Humanos do Iraque afirma não poder ajudar os homossexuais, porque o grupo não é considerado uma minoria sob os olhos do governo. Alega, porém, que denúncias de morte foram encaminhadas ao Ministério do Interior.
O premiê iraquiano, Nuri al-Maliki, que tem comando direto sobre o Ministério do Interior, não respondeu aos pedidos de entrevista. Seu porta-voz, no entanto, disse à BBC que não existe nenhuma perseguição sistemática a homossexuais e que estes devem "viver suas vidas normalmente".
Conservadorismo
Ao mesmo tempo, no distrito de Cidade Sadr, em Bagdá, um clérigo islâmico disse à BBC que o "terceiro sexo" - como o homossexualismo é chamado - é "totalmente rejeitado pelo islã".
Ainda assim, a cultura religiosa e conservadora do Iraque não explica por si só a perseguição aos gays, dizem analistas.
No Líbano, por exemplo, o grupo radical Hezbollah é razoavelmente tolerante ao homossexualismo. No Irã, onde a prática homossexual é ilegal e comumente punida, a cena "underground" gay também é tolerada. Até na ultraconservadora Arábia Saudita a perseguição não parece chegar nos níveis do Iraque.
Durante o governo de Saddam (1979-2003), homossexuais desfrutaram de algum grau de liberdade e segurança e, após a invasão americana, grupos liberais esperavam que essa liberdade aumentasse.
Mas forças conservadoras islâmicas que ganharam o poder se mostraram resistentes a aceitar valores supostamente ocidentais, incluindo o homossexualismo.
Leia aqui.
Ativistas dizem que centenas de homossexuais foram mortos nos últimos anos, enquanto o governo, que conta com apoio ocidental, tem ignorado o assunto. Para as Nações Unidas, a negligência quanto à violência torna o Estado iraquiano um dos responsáveis pelos crimes.
A investigação da BBC mostra que no Iraque pós-Saddam Hussein ser homossexual - ou mesmo parecer homossexual - pode significar uma sentença de morte no país.
Em alguns casos, homossexuais foram mortos pelos próprios familiares, nas chamadas "mortes pela honra", ou pela ação de milícias. Mas a perseguição também parece ocorrer sob os mandos de forças de segurança oficiais - ainda que o governo se recuse a admiti-lo.
Dezessete homossexuais entrevistados pela reportagem se disseram perseguidos individualmente, e todos dizem ter amigos ou parceiros mortos.
Ainda que o governo diga que desarticulou milícias que fazem esse tipo de perseguição, um ex-policial, que conversou com a BBC em condição de anonimato, disse ter abandonado a corporação depois de ter recebido ordens diretas para prender dois homossexuais. Um deles foi morto na cidade onde era "procurado".
"Durante a ocupação americana, estávamos muito ocupados. Agora, com tempo livre, a polícia passou a perseguir gays", disse o ex-policial.
Abrigo
Com isso, a comunidade gay do Iraque fica cada vez mais escondida e assustada. Uma vez que um homossexual entra na "lista de procurados", ele ou ela não tem para onde escapar.
Muitos relatam buscas oficiais em suas casas, além de casos de estupro. Outros temem ser identificados nas dezenas de postos de checagem que têm como objetivo garantir a segurança de Bagdá. "Não tenho liberdade. Não posso viver a minha vida", disse um deles à BBC.
Há apenas um abrigo para homossexuais em Bagdá, com capacidade para três pessoas. Outros abrigos foram alvos de ofensivas e fechados pelo governo.
Segundo um relatório de 2009 da ONG Human Rights Watch, é possível que centenas de homossexuais homens tenham sido mortos desde a invasão americana, em 2003.
Mas o Ministério de Direitos Humanos do Iraque afirma não poder ajudar os homossexuais, porque o grupo não é considerado uma minoria sob os olhos do governo. Alega, porém, que denúncias de morte foram encaminhadas ao Ministério do Interior.
O premiê iraquiano, Nuri al-Maliki, que tem comando direto sobre o Ministério do Interior, não respondeu aos pedidos de entrevista. Seu porta-voz, no entanto, disse à BBC que não existe nenhuma perseguição sistemática a homossexuais e que estes devem "viver suas vidas normalmente".
Conservadorismo
Ao mesmo tempo, no distrito de Cidade Sadr, em Bagdá, um clérigo islâmico disse à BBC que o "terceiro sexo" - como o homossexualismo é chamado - é "totalmente rejeitado pelo islã".
Ainda assim, a cultura religiosa e conservadora do Iraque não explica por si só a perseguição aos gays, dizem analistas.
No Líbano, por exemplo, o grupo radical Hezbollah é razoavelmente tolerante ao homossexualismo. No Irã, onde a prática homossexual é ilegal e comumente punida, a cena "underground" gay também é tolerada. Até na ultraconservadora Arábia Saudita a perseguição não parece chegar nos níveis do Iraque.
Durante o governo de Saddam (1979-2003), homossexuais desfrutaram de algum grau de liberdade e segurança e, após a invasão americana, grupos liberais esperavam que essa liberdade aumentasse.
Mas forças conservadoras islâmicas que ganharam o poder se mostraram resistentes a aceitar valores supostamente ocidentais, incluindo o homossexualismo.
Leia aqui.
terça-feira, 21 de agosto de 2012
O apartheid ainda não acabou na África do Sul
Polícia da África do Sul abriu fogo contra mineiros em greve na mina de platina Marikana, no noroeste do país.
http://www.mas.org.pt/
• Onde está a democracia racial e social quando polícias matam trabalhadores que estão a exercer o seu legítimo direito de fazer greve para reivindicar melhores salários? Toda a solidariedade aos grevistas da mina Marikana! Prisão e julgamento sumário dos assassinos e seus superiores!
Quem viu as imagens do massacre perpetrado no dia 16 de agosto pela polícia sul-africana contra mineiros em greve percebeu claramente a cor desses trabalhadores: eram todos negros. Não é coincidência: são os negros, a grande maioria da população, que compõem a classe trabalhadora na África do Sul, principalmente os setores mais explorados, como os que trabalham em minas.
A violência policial, por sua vez, demonstrou a forma como os trabalhadores negros são tratados. Apesar da grande vitória conquistada com o fim do apartheid, na década de 90 do século passado, esse de facto não acabou. A sociedade sul-africana é ainda profundamente racista e dividida entre brancos – a minoria privilegiada – e negros – a maioria explorada, com apenas uma minoria negra com acesso a melhores condições de vida. Dessa minoria faz parte a elite que está no poder.
A proprietária da mina é a Lonmin, uma multinacional inglesa e a terceira maior produtora de platina do mundo. Como quer manter o nível de exploração dos seus empregados, disse que a greve é ilegal e ameaçou com demissão os que não voltarem a trabalhar. Essa é a democracia dos patrões.
Mas com a determinação e a coragem tradicionais, os mineiros continuaram a luta, apesar da traição do Sindicato Nacional de Mineiros da África do Sul (NUM, em inglês), que, além de não organizar o movimento, ainda se presta a fazer o trabalho sujo de acusar os trabalhadores de impedirem os fura-greve de entrar na mina. Como se isso não fosse um direito dos grevistas!
Um mineiro disse aos jornalistas, numa entrevista reproduzida pelo jornal Público: “Somos explorados, nem o governo nem os sindicatos nos ajudam; as empresas mineiras fazem dinheiro à custa do nosso trabalho e não nos pagam quase nada”.
Por isso, é muito hipócrita da parte do presidente sul-africano, Jacob Zuma, dizer-se chocado com o que aconteceu. Ele não sabia da greve e da repressão que já começaram há vários dias? Ele não conhece os métodos violentos da polícia sul-africana, muito provavelmente estimulados por uma empresa inglesa herdeira do apartheid? O que Jacob Zuma tem de fazer é decretar a imediata prisão e julgamento dos culpados; abrir um inquérito para apurar todas as responsabilidades, inclusive da empresa mineradora, no massacre; indemnizar os trabalhadores reprimidos e feridos pela polícia e as famílias dos que morreram; tem de intervir também no conflito para obrigar a mineradora a atender às reivindicações dos mineiros.
Mas tem mais: se a situação na mina de Marikana chegou a este ponto é porque a Lonmin não está à altura da responsabilidade social que tem. A mineração é uma das atividades mais rentáveis e que mais emprega trabalhadores na África do Sul, e deve por isso pertencer ao Estado e não a uma multinacional que só quer obter altas taxas de lucros, mesmo que às custas da vida dos trabalhadores. Nacionalização de Marikana para que não haja mais vítimas a lamentar.
Mineiros de Marikana tombados na luta, presente!
www.pstu.org.br
http://www.mas.org.pt/
• Onde está a democracia racial e social quando polícias matam trabalhadores que estão a exercer o seu legítimo direito de fazer greve para reivindicar melhores salários? Toda a solidariedade aos grevistas da mina Marikana! Prisão e julgamento sumário dos assassinos e seus superiores!
Quem viu as imagens do massacre perpetrado no dia 16 de agosto pela polícia sul-africana contra mineiros em greve percebeu claramente a cor desses trabalhadores: eram todos negros. Não é coincidência: são os negros, a grande maioria da população, que compõem a classe trabalhadora na África do Sul, principalmente os setores mais explorados, como os que trabalham em minas.
A violência policial, por sua vez, demonstrou a forma como os trabalhadores negros são tratados. Apesar da grande vitória conquistada com o fim do apartheid, na década de 90 do século passado, esse de facto não acabou. A sociedade sul-africana é ainda profundamente racista e dividida entre brancos – a minoria privilegiada – e negros – a maioria explorada, com apenas uma minoria negra com acesso a melhores condições de vida. Dessa minoria faz parte a elite que está no poder.
A proprietária da mina é a Lonmin, uma multinacional inglesa e a terceira maior produtora de platina do mundo. Como quer manter o nível de exploração dos seus empregados, disse que a greve é ilegal e ameaçou com demissão os que não voltarem a trabalhar. Essa é a democracia dos patrões.
Mas com a determinação e a coragem tradicionais, os mineiros continuaram a luta, apesar da traição do Sindicato Nacional de Mineiros da África do Sul (NUM, em inglês), que, além de não organizar o movimento, ainda se presta a fazer o trabalho sujo de acusar os trabalhadores de impedirem os fura-greve de entrar na mina. Como se isso não fosse um direito dos grevistas!
Um mineiro disse aos jornalistas, numa entrevista reproduzida pelo jornal Público: “Somos explorados, nem o governo nem os sindicatos nos ajudam; as empresas mineiras fazem dinheiro à custa do nosso trabalho e não nos pagam quase nada”.
Por isso, é muito hipócrita da parte do presidente sul-africano, Jacob Zuma, dizer-se chocado com o que aconteceu. Ele não sabia da greve e da repressão que já começaram há vários dias? Ele não conhece os métodos violentos da polícia sul-africana, muito provavelmente estimulados por uma empresa inglesa herdeira do apartheid? O que Jacob Zuma tem de fazer é decretar a imediata prisão e julgamento dos culpados; abrir um inquérito para apurar todas as responsabilidades, inclusive da empresa mineradora, no massacre; indemnizar os trabalhadores reprimidos e feridos pela polícia e as famílias dos que morreram; tem de intervir também no conflito para obrigar a mineradora a atender às reivindicações dos mineiros.
Mas tem mais: se a situação na mina de Marikana chegou a este ponto é porque a Lonmin não está à altura da responsabilidade social que tem. A mineração é uma das atividades mais rentáveis e que mais emprega trabalhadores na África do Sul, e deve por isso pertencer ao Estado e não a uma multinacional que só quer obter altas taxas de lucros, mesmo que às custas da vida dos trabalhadores. Nacionalização de Marikana para que não haja mais vítimas a lamentar.
Mineiros de Marikana tombados na luta, presente!
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