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quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

OSNI: um surpreendente exemplo de traição!

Não tem sido raro nas últimas décadas assistirmos lideranças de esquerda se transformarem em traidores dos ideais marxistas: O PT e o PCdoB são exemplos abundantes disto! Muitos dos que lutavam ao lado dos explorados e oprimidos, passaram para o lado dos exploradores e opressores! Aliás, que haja tanta roubalheira neste país, isto também não é surpresa, também não é novidade: sempre houve, desde os militares, passando por Sarney, Collor, Itamar e FHC. Novidade, surpresa, foi o escândalo do “Mensalão”, quando se descobriu que o PT, que dizia que iria mudar tudo isso, repetiu este mesmo hábito! Agora, nem mesmo a ladroeira do PT causa surpresa!

O surpreendente, a novidade de hoje é que algumas pessoas que haviam aprendido sobre como essa traição acontece, haviam aprendido sobre como evitar e fugir deste “mesmismo”, haviam se comprometido em não seguir este curso oportunista, de repente, voltam à vala comum! Aqui em Blumenau, recentemente, fomos surpreendidos com a refiliação do Sr. Osni Walfredo Wagner ao Partido dos Trabalhadores, num claro e surpreendente exemplo de traição: sim traição, pois ignorância não é! O Senhor Osni, militante experiente (atua na esquerda desde meados dos anos 80) e esclarecido (não somente do ponto de vista acadêmico, mas também como leitor contumaz que é) sabe bem que o caminho que toma agora é sim o caminho da submissão ao capital, da obediência aos empresários financiadores das campanhas eleitorais, da propina e do mensalão geridos para o benefício das grandes empreiteiras e outras empresas sanguessugas do Estado!

Este fenômeno da traição já tardia, já depois de reafirmados os ideais “principistas”, esta surpreendente “mudança de consciência”, não é um privilégio exclusivo do Sr. Osni. Embora seja uma raridade assistirmos a isso (e por isso ficamos surpresos), por outro lado também notamos que o fato tende a se repetir. Não é fácil manter-se longe das mazelas do poder, tendo fácil acesso a ele! Não é fácil manter-se longe das mazelas do poder, tendo fácil acesso às ofertas de dinheiro sujo e privado para as campanhas eleitorais. Não é fácil manter-se longe das mazelas do poder, tendo a grande mídia alienante como aliada. Outro exemplo disto foi o do Sr. Jean Wyllys, que para defender a sua Alma Mater Rede Globo, surpreendentemente, saiu em defesa do machismo e do racismo da série “Sexo e as Negas”! Estará Jean trilhando o caminho de Osni? Manter-se longe do Poder é difícil!



De nossa parte, da parte do PSOL e do PSTU (que já declarou publicamente seu arrependimento pelo apoio a candidatura Osni em 2012) de Blumenau, declaramo-nos surpresos, mas jamais abalados, com este fenômeno! Continuaremos firmes na luta pela mudança geral da ordem estabelecida, na luta pelo socialismo. Osni Não fala em nosso nome!

Blumenau, 07 de dezembro de 2014

Giovani Zoboli, presidente PSTU Blumenau
Hugo Voigt, presidente PSOL Blumenau

sábado, 1 de março de 2014

PT blumenauense: Um silêncio ensurdecedor!

Não deve estar sendo fácil para os membros do PT de Blumenau ter que ficar quase que mudos diante das várias denúncias de corrupção que estão sendo feitas em Blumenau, principalmente, a partir de 2012. Naqueles dias, o então prefeito João Paulo Kleinubing foi flagrado ordenando a um dos seus secretários que criasse um falso documento simulando um processo de dispensa de licitação para que a Companhia Urbanizadora de Blumenau (URB) recebesse R$ 30 milhões do Banco de Desenvolvimento do Estado de Santa Catarina. Tal situação foi comprovada através de interceptações telefônicas autorizada pela justiça em julho de 2012. Conhecida como operação “tapete negro”, envolveu o primeiro escalão da gestão JPK, empresários e políticos da base aliada e, resultou no processo de cassação dos vereadores Célio Dias, Fábio Fiedler, Braz Roncáglio, Almir Vieira e Robinson Soares, por cometerem irregularidades para obtenção de votos.

Diante disto, coube ao vereador do PT, Jefferson Forest, apresentar requerimento para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito, porém, sem a assinatura do presidente da casa Vereador Vanderlei de Oliveira, também do PT (e tido como sendo da ala mais a esquerda deste partido). Entretanto, tal comissão não foi constituída.

O silêncio que os membros do PT de Blumenau não buscam quebrar não pode ser compreendido separadamente de duas situações que acontecem com o PT em âmbito nacional: A primeira diz respeito ao mensalão e as prisões de lideranças petistas, historicamente constituídas no cenário político brasileiro, com destaque para José Dirceu e José Genuíno, que no passado foram dois grandes lutadores contra a ditadura militar. Lamentavelmente, hoje sevem para colocar o PT na mesma vala comum dos grandes partidos de direita e centro direita, cujos membros atualmente agem muito mais por interesse próprio do que por projeto de país e desta forma, suscetíveis à corrupção. A partir do chamado mensalão, o PT se manifestou tão corrupto como o PP de Maluf, o PSDB de FHC, Alckimim e Azeredo, o PMDB de Jader Barbalho e Sarney, o PL do bispo Rodrigues, o PTB de Roberto Jefferson e Collor, assim como outros partidos políticos de direita ou centro direita.

A segunda situação refere-se às alianças que o PT tem feito para se perpetuar no poder do Estado. Partidos e pessoas que antes estavam em lados oposto ao do PT passam a fazer parte da base aliada e, neste processo mais e mais o PT passou a assumir posturas contraria aos trabalhadores e mais para a direita se moveram os petistas chegando a realizar, aqui no Estado de Santa Catarina, aliança com o governador Colombo do PSD.

Diante destas situações, o que os petistas de Blumenau podem fazer mais do que permanecerem calados? Com que moral política poderão os petistas falar de Fiedler, Robinho ou de outro que esteja constituindo aliança com o PT, seja em âmbito nacional ou estadual?

De nossa parte, registramos as nossas saudades dos tempos em que o Partido dos Trabalhadores bradava contra a corrupção, inicialmente nas praças e nas portas de fábricas, e depois nos gabinetes.

Nelson Garcia Santos, professor universitário.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Entrega do petróleo e punições aos trabalhadores: a política de DIlma para a Petrobrás

PSTU-Baixada Santista
Em um hotel luxuoso, cujo quintal é a praia de São Conrado (RJ), a presidente Dilma irá colocar em prática um dos maiores crimes do seu governo: a 11ª rodada dos leilões do petróleo nos próximos dias 14 e 15 de maio

Seguindo a lógica privatista de seu mandato, marcado já pela privatização dos portos, aeroportos e rodovias, Dilma colocará a venda uma quantidade de petróleo que, revertida em dinheiro, é maior que o PIB do país em 2012, fechado na cifra de US$ 2,3 trilhões de dólares. Irão participar do leilão multinacionais parasitas como Shell, Chevron, Repsol, Exxon Mobil Corp e British Petroleum. Estima-se que serão entregues às multinacionais 37 bilhões de barris de petróleo, o que representa mais de US$ 3,7 trilhões de dólares.

No total, serão colocados à venda 289 blocos, sendo 166 no mar – 81 em águas profundas, 85 em águas rasas – e 123 em terra. Dilma, que venceu as eleições com um discurso claramente contrário às privatizações para se diferenciar do candidato tucano, cai em mais uma contradição e mostra que os governos petistas e tucano têm muito mais semelhanças que diferenças: para entregar o petróleo brasileiro ao capital internacional, Dilma está utilizando uma lei criada por Fernando Henrique Cardoso, a lei 9.478, para privatizar a Petrobras.

Com esta lei, FHC conseguiu acabar com o monopólio estatal do petróleo e fatiou a companhia, abrindo o caminho para uma série de leilões. Não conseguiu, porém, privatizar a empresa e nem mudar o seu nome para Petrobrax em virtude do enfrentamento e desgaste com a sociedade. As mobilizações dos petroleiros, sobretudo na greve histórica de 1995, também foram episódios decisivos na resistência vitoriosa à privatização.


Antes com Lula e agora com Dilma, o PT trilha o mesmo caminho do governo tucano. Não cessou os leilões do petróleo, usa a Petrobrás para ajudar Eike Batista, impõe uma política salarial rebaixada aos petroleiros (já são mais de 17 anos sem aumento real) e aplica uma política nefasta de lucro a qualquer custo com o aumento das terceirizações e dos acidentes de trabalho. Para cada petroleiro concursado (cerca de 90 mil em todo Sistema Petrobras), são quatro terceirizados (mais de 300 mil).

Com o Procop, programa de "otimização de custos" anunciado pela companhia, o risco de acidentes aumentou. Agora, com menos trabalhadores e mais produção para agradar os acionistas, a empresa está sacrificando a segurança dos petroleiros e das comunidades vizinhas às suas unidades para obter taxas de lucro ainda maiores. Prova disso é o recente vazamento de óleo no Terminal Almirante Barroso, em São Sebastião, no dia 5 de abril. Com a manutenção precária de suas instalações, assédio moral e efetivo reduzido de trabalhadores, o maior terminal aquaviário da América Latina vivenciou um acidente que poderia ter sido facilmente evitado.

Privatização na Transpetro não está descartada
Além dos leilões do petróleo, Dilma também abriu caminho para uma possível privatização dos terminais da Transpetro. Isso porque dentro do processo de privatização anunciado por Dilma para os portos o terminal Alemoa da Transpetro, que fica em Santos, está na lista dos 159 terminais passíveis de licitação. E com a disponibilidade para uma possível licitação com data agendada: 22 de outubro de 2014.

Punições e demissões aos trabalhadores petroleiros
A repressão e criminalização dos movimentos sociais no Governo Dilma ganharam expressão nas obras de Belo Monte, onde o Governo Federal tem aplicado a política do cassetete para reprimir os trabalhadores que estão em greve contra as condições degradantes de trabalho. Como um verdadeiro agente da concessionária responsável pela obra e pela imposição de um trabalho praticamente escravo, o governo Dilma também tem sido conivente com a política de perseguições aos petroleiros no Sistema Petrobrás.

Após o vazamento no Tebar, a Transpetro iniciou uma espécie de caça às bruxas na unidade. Uma comissão de investigação foi criada para transferir aos trabalhadores a responsabilidade pelo vazamento. Punições que vão desde suspensão de 20 dias até demissão não estão descartadas pela empresa, que se recusa a assumir a responsabilidade pelo acidente.

Há um ano, justamente por denunciar as irregularidades na companhia e o desrespeito às normas regulamentadoras e legislações sobre segurança, a cipeira Ana Paula do Terminal Cabiúnas, em Macaé (RJ), foi demitida pela empresa. Mais recentemente, na Refinaria Presidente Bernardes de Cubatão (RPBC), um vazamento na refinaria já gerou a formação de uma comissão que tem a mesma finalidade: jogar nas costas dos trabalhadores, pressionados a garantir a produção a todo vapor custe o que custar, a culpa por qualquer acidente ou erro operacional.

Petroleiros organizam calendário de lutas
Como contraponto aos leilões do petróleo e ao clima de perseguição em que vivem os trabalhadores, a Federação Nacional dos Petroleiros (FNP) definiu um calendário de lutas para enfrentar os ataques da Petrobras e do governo Dilma.

Mesmo paralisada por formar a base do Governo, atuando no movimento sindical como um freio às lutas da categoria, a FUP (Federação Única dos Petroleiros) foi convocada pela FNP a integrar este calendário. Infelizmente, até o momento não respondeu ao chamado.

É preciso formar uma ampla campanha com os diversos setores da sociedade e do movimento sindical para fortalecer a campanha 'O petróleo tem que ser nosso'. O combate não é apenas aos leilões do petróleo. A luta também é para colocar nas ruas a bandeira histórica dos petroleiros e dos movimentos sociais por uma Petrobrás 100% Estatal e pelo resgate do monopólio estatal do petróleo, com o fim das concessões às multinacionais sem indenização.

Com isso, seria possível reverter os recursos obtidos através do petróleo para investimentos em educação, saúde, infraestrutura, transportes, etc. Seria possível, mais ainda, baratear o preço da gasolina e do gás de cozinha, gerando por consequência uma diminuição significativa nos custos com alimentação e transporte, principalmente. O PSTU está nesta luta e apóia a mobilização dos petroleiros.

Assista também o vídeo com Cyro Garcia denunciando os leilões, a privatização do maracanã

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Devaneios acerca do passado e do futuro do PT de Blumenau

Por Clausmar Luiz Siegel, militante do PSTU, em 14/01/2013

Nos já distantes anos de 1993/4 havia uma piada freqüente nos corredores da casa legislativa blumenauense. Dizia-se que o Partido dos Trabalhadores não possuía uma "bancada". Tinha, sim, uma "mancada"! As explicações para tal gracinha eram duas, quais sejam. A primeira se originava no preconceito burguês contra os deficientes físicos. Os dois vereadores petistas naquela época, os Srs. Décio Lima e Célio Scholemberg, são portadores de dificuldades para caminhar, e mancam ao deambular. A segunda se originava no preconceito que a burguesia ainda mantinha em relação a um PT já domesticado. Havia poucos anos que o PT tinha liderado mobilizações, lutas e greve operárias, docentes, estudantis e ainda liderava alguma mobilização dos servidores públicos municipais, e a lembrança destes fatos fazia com que o empresariado blumenauense mantivesse uma grande reserva ao PT. Os partidos tradicionais (PMDB, PFL, PDT, PSDB e o PPB/PPR de Amim e Maluf) ainda estavam testando as suas primeiras relações com o minúsculo PT, e chamar-lhe de "mancada" fazia parte deste teste de calouro.

Até as eleições de 1996 o PT de Blumenau teve que se empenhar para ser bem aceito nos meios políticos locais: o resultado inesperado daquele ano fez com que a burguesia deixasse de ser arrogante para se tornar tolerante. E assim, por 08 anos, o PT foi habitante do prédio ao lado da velha figueira tendo um bom convívio com a ACIB e outras entidades da elite local. Nada mais do que o reflexo local do mesmo fenômeno nacional. Também Lula e outros líderes de renome faziam o mesmo caminho da “aburguesação” deste ex-partido de lutas operárias.

Esta mudança veio acompanhada da degeneração política das relações internas do partido. As "tendências" que disputavam o poder interno do PT deixavam de ter os seus programas coletivos para se tornarem agrupamentos em torno de projetos pessoais de grandes figurões do partido. Algumas destas correntes, nos anos 80, declaravam-se marxistas, e se reivindicavam a "esquerda" petista. Na "direita" estava o agrupamento nomeado de "Articulação - Unidade na luta", que mais tarde passou a se chamar "Campo Majoritário", com uma orientação claramente não marxista. Já ao final dos anos 90, estas designações de "direita" e "esquerda" pouco se justificavam, uma vez que o PT inteiro havia se alinhado ao "Status Quo" e os projetos pessoais se superpunham aos programas sociais, políticos e econômicos. No entanto, ainda que sem mais uma luta entre Marxistas e não marxistas, os termos "direita" e "esquerda" continuam sendo usados até hoje nos dias das festas petistas.

Voltando a Blumenau, os 08 anos de boas relações com o empresariado foram liderados pelo prefeito Décio Lima, naqueles anos um membro da "Articulação". Obviamente, Décio não deixou a "esquerda" petista a ver navios, e também contemplou-a com cargos e mimos do poder. Fazia parte da pacificação da "esquerda" incluí-la no esquema. Mas para a sucessão municipal a Articulação indicou o desconhecido Edson Adriano, também da "direita" partidária local.

Deu-se, então, a primeira derrota eleitoral, que segundo alguns petistas afirmam até os dias atuais, foi propositalmente causada pela ala do Sr. Décio Lima, pois assim este estaria devolvendo pacificamente a cadeira de chefe do executivo aos seus verdadeiros donos, os partidos burgueses desde o berço, para mais tarde retomá-la de forma também pacífica e sem grandes atribulações. Esta versão dos fatos, sustentada por alguns petistas esquerdistas locais até a alguns anos passados, diz ainda que Décio e a "direita" foram traídos pela burguesia local na medida em que nos anos de 2008 e agora em 2012 a cadeira principal continuou nas mãos dos partidos claramente burgueses, e não voltou para petistas da "direita". Esta corrente de pensamento deve uma explicação em sua análise: em que momento a "esquerda" petista teria se manifestado contra esta estratégia? Em que evento as forças/personalidades criticas ao projeto da "Articulação" se posicionaram e lutaram claramente contra este acordo?

A verdade é que a grande maioria da esquerda petista local se adaptou, se adequou, se contentou com as migalhas do poder e, assim como todo o PT, trocou a luta dos trabalhadores pelas benesses do poder em parceira com a classe inimiga.

As poucas demonstrações de rebeldia da esquerda petista blumenauense foram vergonhosas: o ex-edil Célio Scholemberg saiu do PT atirando com armas e munição de esquerda para, logo em seguida, alinhar-se com o neo-burguês PPS. O mesmo (ou parecido) se deu com o grupo que saiu do PT para fundar o PSOL: sem consistência programática, movidos mais pelas encrencas pessoais do que pelos fatos políticos, foram para o PSOL, brigaram com todos de lá, e acabaram indo para o PDT (e depois ainda para o PMDB)! Ou seja, foram mais a direita do que a direita petista! Lamentável.

E agora, PT?

Em 2012 ocorreu a terceira derrota consecutiva da ala direitista do PT de Blumenau. E pior, não só a terceira, mas a mais fragorosa: no dia 04/10, pesquisa eleitoral divulgou resultados bastante animadores para a candidata Ana Paula, que acabou nem mesmo indo para o segundo turno! A pergunta que surge é se esta ala direitista, depois de três derrotas seguidas, terá condições de indicar o próximo candidato a prefeito de Blumenau pela sigla do PT? Detentores de 03 mandatos de grande importância (o deputado federal Décio Lima, a deputada estadual Ana Paula e o vereador Jefferson Forest), e principalmente, detentores da confiança da burguesia local, a "Articulação" terá "moral" de disputar mais uma eleição? Uma estrela cadente ainda terá condições de permanecer à frente desta sigla?

O vereador Vanderlei de Oliveira há muito tempo vem se reivindicando a "esquerda" do PT blumenauense, e agora mostra claramente que está em franca ascensão não somente dentro, mas especialmente fora do partido: com 05 mandatos consecutivos, é agora o presidente do legislativo municipal. Ótima oportunidade de mostrar não somente aos petistas e aos outros partidos, mas especialmente a todos os setores empresariais que também a esquerda petista está a serviço das coisas para a manutenção das coisas, e nada mais de marxista permanece em suas veias. Ótima oportunidade de provar que não haverá “mancada” da esquerda não deficiente física a frente dos negócios municipais.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Réquiem para um trânsfuga

José Dirceu, ex-líder estudantil e ex-guerrilheiro
Zé Dirceu passou para o lado do inimigo, apoiou a reforma da Previdência e, por fim, meteu-se em um caso de corrupção

Jerônimo Castro, de Contagem (MG)

• O julgamento do mensalão está chegando ao fim. O resultado final será a condenação de quase toda a antiga cúpula política do PT, bem como de várias de suas figuras públicas. Com a exceção de Lula.

O motivo da condenação parece legítimo: corrupção ativa, compra de votos no parlamento, desvio de dinheiro público e um longo etc. Uma boa parte da grande imprensa apresenta as condenações como um novo momento da política brasileira. Finalmente, dizem, os casos de corrupção são julgados e os corruptos condenados, podendo inclusive ir para a cadeia.

Os juízes do Supremo Tribunal Federal que estão à frente do julgamento são apresentados como heróis que enfrentam a corrupção e os poderosos em uma tentativa de “passar o Brasil a limpo”. No entanto, parece necessário fazer uma análise mais profunda de todo o processo e de seus condenados. Não apenas de sua trajetória política, mas inclusive a serviço do quê eles corromperam ou foram corrompidos.

O mais notório dos condenados, José Dirceu, tem uma das mais notáveis biografias políticas do Brasil. Líder estudantil no começo da ditadura, preso no congresso da UNEne de Ibiúna, trocado pelo embaixador Charles Burke Elbrick em Setembro de 1969, exilado em Cuba, fez treinamento guerrilheiro e virou dirigente da fração esquerdista da ALN, conhecida como Grupo Primavera, que preconizava a volta para o Brasil e a continuidade das ações militares contra a ditadura.

Desapareceu do cenário político em meado dos anos 70, escondendo-se no interior do Paraná onde levou uma vida clandestina na pequena cidade de Cruzeiro do Oeste. Incólume, nem mesmo sua esposa sabia sua verdadeira identidade. Com o fim da ditadura e a anistia voltou à cena para ajudar a fundar o Partido dos Trabalhadores.

Neste partido dirigirá sua fração mais à direita, a Articulação, e será sempre o homem que busca um programa moderado e que dialogue com setores burgueses. Vai ser José Dirceu quem perseguirá até à expulsão a Convergência Socialista, será o mesmo José Dirceu quem defenderá à época do plano cruzado de José Sarney que o PT deve ser a ala esquerda dos “fiscais do Sarney”. Será José Dirceu que lutará até conseguir a frente com José Alencar para as eleições de 2002.

No poder, será o ministro da Casa Civil e, segundo alguns, a eminência parda do governo Lula.

Se alguém pode ganhar o prêmio por domesticar o PT, transformá-lo em partido da ordem e em baluarte do regime democrático burguês, esse alguém, sem sombra de dúvida, é José Dirceu. Mais incrível ainda, uma das mais importantes compras de votos feita pelo esquema de José Dirceu foi justamente para aprovar a reforma da Previdência Social, um ataque brutal contra os trabalhadores e amplamente apoiado pela burguesia e a sua mídia.

Por outro lado não é necessário ter muita inteligência nem ser um “expert” em política para se dar conta que somente um lado está sendo julgado. O PSDB e o PMDB têm muito mais culpa no cartório, ou pelo menos tanta culpa quanto o PT e seus ex-dirigentes agora condenados. A pergunta é, por quê?

A Burguesia não perdoa nem esquece
A condenação de Zé Dirceu não tem a ver com seu presente. Atualmente, poucos políticos fizeram tanto pela estabilidade da dominação burguesa e pela defesa do status quo vigente.

Também é indiscutível que Zé Dirceu não é mais corrupto que a maioria dos grandes políticos burgueses tradicionais. Maracutaias como a das privatizações, da reeleição de FHC, entre outras, deixam claro que o pudor da burguesia em relação à roubalheira do Estado é nula ou muito próxima a isso.

No entanto, Zé Dirceu e uma parte de seus comparsas no mensalão têm um passado. E é isso que é necessário matar. Diferentemente dos demais corruptos do país, públicos e privados, ativos e passivos, José Dirceu é uma nota dissonante na política brasileira, não pelo seu presente, integrado à ordem, mas por seu passado de dirigente estudantil, líder guerrilheiro e organizador de um partido, que em suas origens esteve contra a ordem vigente.

A burguesia, como todos os setores dirigentes, prefere sempre corromper e cooptar seus inimigos a liquidá-los. Um ex-inimigo domesticado é sempre um troféu melhor que um ex-inimigo morto. Na política essa verdade tem, digamos, uma dimensão ainda mais ampla. Corromper e cooptar um dirigente inimigo significa não apenas ganhar um novo “aliado” e enfraquecer a parte contrária, significa também desmoralizar as “tropas” inimigas. Quando se trata de um enfrentamento onde não são meramente setores distintos de uma mesma classe que se enfrentam, mas onde os “inimigos” representam, ainda que apenas no imaginário das classes, a classes opostas, esta conquista, o ato de cooptar ou corromper a um dirigente inimigo toma uma dimensão ainda maior.

Diferentemente da burguesia, o proletariado forma muito menos quadros e dirigentes. Isso é inevitável na sociedade capitalista. A classe trabalhadora é embrutecida permanentemente com drogas, religião, novelas, publicações de baixa qualidade, todo tipo de pornografia, etc. Por outro lado a qualidade do ensino que lhe é oferecida é cada vez mais baixa e tecnificante. Para cada quadro formado na sociedade burguesa que se passa para, ou tem origem no proletariado, deve haver centenas que são de origem burguesa e continuarão a servir à burguesia.

O peso de um quadro operário, dedicado à causa da classe trabalhadora, dentro do movimento operário é muito superior ao peso de um quadro burguês dedicado à causa burguesa. A escassez também é um elemento da valorização de qualquer produto. Quando um destes quadros dirigentes cai, é inevitável que o lado oposto se regozije. Mas é necessário não criar mitos. Um morto sempre é um símbolo, o perseguido de hoje será o mártir inspirador de amanhã.

José Dirceu foi, pois, o trânsfuga perfeito. Passou-se para o lado do inimigo, apoiou coisas tais como a contra-reforma da Previdência, perseguiu a esquerda de seu próprio partido e, finalmente, meteu-se em um dos mais asquerosos processos de corrupção da história do país. O trânsfuga prestou este último serviço à burguesia, o de desmoralizar seu próprio exército antes da já inevitável queda. José Dirceu cumpriu o triste papel de confirmar aos olhos da classe trabalhadora a máxima, que a burguesia se esforça para legitimar, de que “são todos iguais” e de que no fim das contas todos os políticos só pensam em si mesmos.

A queda de José Dirceu, inevitavelmente, arrasta consigo uma parte das melhores esperanças de classe trabalhadora: a de que seus representantes fariam outro tipo de política.

Sem romper com a burguesia não há solução para a corrupção
O degradante espetáculo público do julgamento do STF, que já foi chamado com razão de BBB, e junto com ele a ridícula caricatura dos juízes togados tentando se colocar acima do lamaçal da sociedade burguesa, entorpecerá mais de um coração nestes dias.

Já há quem fale que Joaquim Barbosa deveria ser candidato a presidente da República. O sistema se recria todos os dias. Os mensaleiros do PT ajudaram a que este triste espetáculo pudesse ser representado sem que a burguesia precisasse cortar mais profundamente entre seus quadros prediletos.

No entanto, para além dos efeitos imediatos, é bom que a esquerda, em especial aquela que se julga revolucionária, e mais ainda a nova esquerda “post” PT, tire lições da adaptação parlamentar e do vale tudo eleitoral.

Acreditar que é possível ganhar eleições e governar junto com a burguesia e não ver que isso levará inevitavelmente a usar e se misturar com seus métodos de fazer política, leiam-se corrupção, chantagem e roubo, é no mínimo ingenuidade. E como dizia Lênin, “em política ingenuidade é crime”.

www.pstu.org.br

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

A única alternativa para os trabalhadores é o voto nulo


Mesmo com toda propaganda do PT de que a vida da população mudou e que a Presidenta Dilma está de braços abertos para ajudar a todos, nós trabalhadores sentimos na pele a dura realidade das filas em hospitais, dos baixos salários e endividamento, da falta de creches, entre outros problemas. Mas para os grandes empresários o PT tem ajudado muito, tanto que Ana Paula (PT) e Napoleão (PSDB) receberam dinheiro da Weg e da Construtora Stein.

Para mostrar a vida como ela é, para mostrar que Jean Kuhlmann, Ana Paula e Napoleão são os candidatos dos ricos e poderosos, o PSTU lançou a candidatura de Giovani Zoboli na Frente de Esquerda com o PSOL. Fizemos uma campanha vitoriosa junto com os trabalhadores, sem dinheiro de patrões!

O PSTU, como parte da Frente de Esquerda, realizou uma campanha alertando a classe trabalhadora que não existe solução para nossos problemas se governarmos com os patrões com a prioridade: “Chega de governar para os ricos! Blumenau para os trabalhadores!!”

Denunciamos o absurdo aumento de 35% do salário dos vereadores, apresentamos um programa classista em defesa do emprego dos operários têxteis e não rebaixamos nosso programa diante da violenta opressão que as mulheres e homossexuais sofrem no dia-a-dia, além do chamado para que os estudantes se mobilizem pela Furb Federal.

Agora no segundo turno chamamos o PSOL, a defender o voto nulo, pois só restam candidatos dos grandes empresários, que são os mesmos que junto com a presidenta Dilma (PT) mantém a saúde e a educação nesta situação terrível, enquanto privatizam patrimônio público como a SAMAE, os Correios e aeroportos.


PSTU Blumenau

terça-feira, 3 de julho de 2012

Frente de Esquerda: Blumenau para os trabalhadores!

Nas eleições deste ano, os grandes partidos e seus candidatos vão apresentar soluções milagrosas para resolver todos os problemas sociais. Em suas campanhas milionárias, tentarão manipular a população por meio de gigantescos aparatos de marketing eleitoral, pagos a peso de ouro. Num passe de mágica, partidos e candidatos comprometidos com as grandes empresas são subitamente transformados em defensores dos trabalhadores. Ficha sujas e candidatos a ficha sujas viram defensores da ética na política.

A crise econômica européia, com a Grécia no epicentro, mostra que os ventos podem novamente soprar em direção ao Socialismo. É preciso ousar na defesa do Socialismo e superar a polarização entre os blocos patronais (o PT de Ana Paula e a direita clássica: Napoleão/PSDB e Jean Kulhmann/PSD) que têm o mesmo programa: governar para os ricos e poderosos.

A Frente de Esquerda, formada por PSOL e PSTU, está lançando Osni Wagner e Marcos Bugmann para disputar a Prefeitura e Giovani Zoboli como candidato a vereador. Esta coligação vai mostrar que é possível enfrentar os gravíssimos problemas sociais (como educação, saúde e transporte), desde que enfrentemos o domínio das grandes empresas.

Saudações Socialistas!

Partido Socialismo e Liberdade - PSOL
Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado - PSTU