terça-feira, 16 de abril de 2013
quarta-feira, 3 de abril de 2013
Todos a Brasília no dia 24 de abril
segunda-feira, 1 de abril de 2013
O enigma da “nova classe média”
Ruy Braga
No primeiro semestre de 2012, a Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República (SAE) aprovou a nova definição de “classe média” que orientará a criação das políticas públicas do governo federal para os próximos anos. Em suma, trata-se da simples determinação de algumas faixas de renda que localizam os novos grupos recém saídos do pauperismo em relação àqueles indivíduos extremamente pobres e em relação à chamada “classe alta”. Ao fim e ao cabo, para o governo federal, fariam parte da classe média brasileira todos aqueles que recebem uma renda mensal per capita entre R$ 291 e R$ 1.019,00, ou seja, aproximadamente, 54% da População Economicamente Ativa (PEA) do país. (Não deixa de ser curioso que um governo liderado pelo Partido dos Trabalhadores tenha apagado conceitualmente a classe “trabalhadora” de seus assuntos estratégicos. Mas este não é o problema aqui…)
Sobre a teoria das classes, diria que, se nada mais soubessem, ainda assim os sociólogos saberiam que um debate minimamente sério a este respeito não pode se limitar a uma única variável, ainda que seja a “renda”. Exatamente porque as classes sociais são relações sociais multidimensionais e construídas historicamente, qualquer determinação unilateral deste fenômeno fatalmente criará mais desentendimentos do que esclarecimentos. Neste caso específico, argumentarão os mais crentes, o interesse do governo não é investigar cientificamente a realidade brasileira, mas apenas racionalizar suas políticas públicas. Trata-se de qualificar e atender carências específicas daquela faixa da população em termos de qualificação e educação financeira. Ok. Neste caso, vejamos então a relação entre as classes pobre, média e alta.
O Dieese calcula que o salário mínimo necessário para o trabalhador suprir despesas elementares de uma família de 4 pessoas deveria ser de R$ 2.349,26. Agora, imaginemos que um hipotético casal auferindo renda mensal per capita de R$ 642,00 (ou seja, o limite inferior da classe média “alta”, conforme a definição da SAE) resolva ter um filho. O governo entende que este casal, ao sair da maternidade, simplesmente passou para a classe média “baixa”. Para o Dieese, no entanto, eles acabaram de decair para o pauperismo. O curioso é que um fenômeno semelhante acontece com a tal “classe alta” – segundo a definição do governo. Se um casal da classe alta resolve ter um filho, bem, digamos que ele estará a uma distância de apenas 1 sandwiche de mortadela e dois refrigerantes a mais por dia da linha da pobreza… Bem, digamos que, atualmente, isto é o mais perto que o petismo consegue chegar da expropriação da burguesia. Ou seja, desconfio que, em breve, a “classe alta” também vai precisar dos programas de educação financeira que o governo anda planejando para a nova classe média…
Ironias à parte, a verdade é que o processo de desconcentração de renda entre os que vivem dos rendimentos do trabalho experimentado nos últimos nove anos preparou em certa medida o terreno para que noções ideologizadas sobre as classes sociais prosperassem no país. Ou seja, a despeito de seu raquitismo teórico, a definição de “nova classe média” da SAE encaixa-se perfeitamente bem em um debate cujo eixo gravita em torno do aprofundamento da financeirização do consumo popular. Ou seja, o que a secretaria realmente pretende é ensinar à população como poupar dinheiro para aproveitar as novas oportunidades criadas pelo recente barateamento do crédito. Para tanto, é importante reforçar a ideologia de que o Brasil transformou-se em um “país de classe média”.
Nadando contra a corrente deste debate, o novo livro do economista e presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), Marcio Pochmann [Nova classe média? – leia o texto de orelha do livro, escrito pelo economista José Dari Krein, aqui no Blog da Boitempo], trouxe à luz um notável conjunto de dados e argumentos para desmistificar em definitivo esta noção. Recuando quarenta anos na história do Brasil a fim de identificar década após década o eixo da dinâmica econômica nacional em termos de repartição e composição da renda, o autor investigou o processo de mobilidade social existente na base da pirâmide social brasileira nos anos 2000. Assim, Pochmann demonstrou que o atual ciclo de crescimento econômico foi marcado por três fatores principais: 1) avanços efetivos na formalização do trabalho assalariado; 2) concentração do emprego em ocupações que pagam até 1,5 salário minimo; e 3) deslocamento da dinâmica da geração de postos de trabalho da indústria (décadas de 1970 e 1980) para a setor de serviços (anos 1990 e 2000).
Tendo em vista a combinação destes movimentos, percebemos que o modelo de desenvolvimento brasileiro neste século absorveu o excedente populacional produzido na década anterior, mas às custas de baixa remuneração (94% das vagas abertas em 2000 tinham remuneração de até 1,5 salário mínimo) e do aumento da taxa global de rotatividade do trabalho (36,9%). Ou seja, às custas da reprodução de um regime de acumulação que insiste em precarizar o trabalho subalterno. Além disso, este modelo foi capaz de integrar grandes contingentes de mulheres e de não brancos, mas quase sempre em ocupações alienadas que não requerem qualificações especiais. Sinteticamente, acompanhando a dinâmica das ocupações na base da pirâmide social do país somos obrigados a refletir sobre os alcances e os limites do atual modelo de desenvolvimento pós-fordista.
Uma reflexão que nos obriga a encarar o atual ciclo de crescimento econômico do ponto de vista do alargamento da superpopulação relativa (precariado brasileiro, proletariado precarizado…). Por um lado, é possível perceber claramente os avanços em relação à decada anterior: a política de valorização do salário mínimo permitiu que um enorme contingente de trabalhadores, especialmente concentrado nas regiões mais carentes, conquistassem um padrão de consumo relativamente inédito na história nacional. Com a formalização do emprego, estes trabalhadores ascenderam a um patamar menos inseguro socialmente, o que tende a elevar a satisfação individual. E a percepção destes em relação ao futuro tornou-se mais positiva.
Por outro lado, a promessa da superação da pobreza e do subdesenvolvimento esbarra na incapacidade do modelo em gerar postos de trabalho mais qualificados, superar a barreira do salário mínimo e bloquear a rotatividade do trabalho. Afinal, como poderia ser diferente se o atual regime de acumulação concentrou-se entorno das atividades de mineração, de petróleo, dos agronegócios e da indústria da construção civil? Precisamos lembrar que o atual modelo reproduz a trilha aberta pela hegemonia tucana de trocar a indústria de transformação por setores que utilizam largamente trabalho não qualificado? Ou seja, trata-se de um movimento que tende a reforçar a insatisfação coletiva.
Estudando a atual dinâmica do trabalho doméstico para famílias, do trabalho nas atividades autônomas e primárias, além do trabalho terceirizado, Pochmann esmiuçou o avesso do atual regime de acumulação. Ao fazê-lo, ele demonstrou que a hegemonia lulista apoia-se em um consistente alargamento da base salarial da pirâmide ocupacional brasileira. Ao mesmo tempo, Pochmann adverte-nos a respeito dos riscos inerentes a um modelo de desenvolvimento que apresenta sérias dificuldades em promover um ciclo de ascensão social consistente com mais e melhores salários. Do choque entre a satisfação individual e os germes dainsatisfação coletiva avolumam-se tensões no atual regime hegemônico.
Sem mencionar outras importantes greves nacionais ocorridas em 2011, como a dos bancários e a dos trabalhadores dos correios, por exemplo, o impulso grevista de 2011 permanece ativo este ano: em Belo Monte, cerca de 7 mil trabalhadores espalhados por todas as frentes de trabalho da usina hidrelétrica cruzaram os braços por 12 dias; no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), localizado em Itaboraí (RJ), pelo menos 15 mil trabalhadores entraram em greve no dia 9 de abril, permanecendo 31 dias parados; ainda no início do ano, foram registrados 10 dias de greve em Jirau e na plataforma da Petrobras em São Roquedo Paraguaçu (BA); além de novas paralizações em Suape, greves em várias obras dos estádios da Copa do Mundo de futebol etc… Tudo somado, talvez Francisco Weffort tivesse mesmo razão quando, quase cinco décadas atrás, afirmou que, no Brasil, “a vitória individual traz em germe a frustração social”.
Blog Convergência: Pensamento Socialista em movimento
No primeiro semestre de 2012, a Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República (SAE) aprovou a nova definição de “classe média” que orientará a criação das políticas públicas do governo federal para os próximos anos. Em suma, trata-se da simples determinação de algumas faixas de renda que localizam os novos grupos recém saídos do pauperismo em relação àqueles indivíduos extremamente pobres e em relação à chamada “classe alta”. Ao fim e ao cabo, para o governo federal, fariam parte da classe média brasileira todos aqueles que recebem uma renda mensal per capita entre R$ 291 e R$ 1.019,00, ou seja, aproximadamente, 54% da População Economicamente Ativa (PEA) do país. (Não deixa de ser curioso que um governo liderado pelo Partido dos Trabalhadores tenha apagado conceitualmente a classe “trabalhadora” de seus assuntos estratégicos. Mas este não é o problema aqui…)
Sobre a teoria das classes, diria que, se nada mais soubessem, ainda assim os sociólogos saberiam que um debate minimamente sério a este respeito não pode se limitar a uma única variável, ainda que seja a “renda”. Exatamente porque as classes sociais são relações sociais multidimensionais e construídas historicamente, qualquer determinação unilateral deste fenômeno fatalmente criará mais desentendimentos do que esclarecimentos. Neste caso específico, argumentarão os mais crentes, o interesse do governo não é investigar cientificamente a realidade brasileira, mas apenas racionalizar suas políticas públicas. Trata-se de qualificar e atender carências específicas daquela faixa da população em termos de qualificação e educação financeira. Ok. Neste caso, vejamos então a relação entre as classes pobre, média e alta.
O Dieese calcula que o salário mínimo necessário para o trabalhador suprir despesas elementares de uma família de 4 pessoas deveria ser de R$ 2.349,26. Agora, imaginemos que um hipotético casal auferindo renda mensal per capita de R$ 642,00 (ou seja, o limite inferior da classe média “alta”, conforme a definição da SAE) resolva ter um filho. O governo entende que este casal, ao sair da maternidade, simplesmente passou para a classe média “baixa”. Para o Dieese, no entanto, eles acabaram de decair para o pauperismo. O curioso é que um fenômeno semelhante acontece com a tal “classe alta” – segundo a definição do governo. Se um casal da classe alta resolve ter um filho, bem, digamos que ele estará a uma distância de apenas 1 sandwiche de mortadela e dois refrigerantes a mais por dia da linha da pobreza… Bem, digamos que, atualmente, isto é o mais perto que o petismo consegue chegar da expropriação da burguesia. Ou seja, desconfio que, em breve, a “classe alta” também vai precisar dos programas de educação financeira que o governo anda planejando para a nova classe média…
Ironias à parte, a verdade é que o processo de desconcentração de renda entre os que vivem dos rendimentos do trabalho experimentado nos últimos nove anos preparou em certa medida o terreno para que noções ideologizadas sobre as classes sociais prosperassem no país. Ou seja, a despeito de seu raquitismo teórico, a definição de “nova classe média” da SAE encaixa-se perfeitamente bem em um debate cujo eixo gravita em torno do aprofundamento da financeirização do consumo popular. Ou seja, o que a secretaria realmente pretende é ensinar à população como poupar dinheiro para aproveitar as novas oportunidades criadas pelo recente barateamento do crédito. Para tanto, é importante reforçar a ideologia de que o Brasil transformou-se em um “país de classe média”.
Nadando contra a corrente deste debate, o novo livro do economista e presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), Marcio Pochmann [Nova classe média? – leia o texto de orelha do livro, escrito pelo economista José Dari Krein, aqui no Blog da Boitempo], trouxe à luz um notável conjunto de dados e argumentos para desmistificar em definitivo esta noção. Recuando quarenta anos na história do Brasil a fim de identificar década após década o eixo da dinâmica econômica nacional em termos de repartição e composição da renda, o autor investigou o processo de mobilidade social existente na base da pirâmide social brasileira nos anos 2000. Assim, Pochmann demonstrou que o atual ciclo de crescimento econômico foi marcado por três fatores principais: 1) avanços efetivos na formalização do trabalho assalariado; 2) concentração do emprego em ocupações que pagam até 1,5 salário minimo; e 3) deslocamento da dinâmica da geração de postos de trabalho da indústria (décadas de 1970 e 1980) para a setor de serviços (anos 1990 e 2000).
Tendo em vista a combinação destes movimentos, percebemos que o modelo de desenvolvimento brasileiro neste século absorveu o excedente populacional produzido na década anterior, mas às custas de baixa remuneração (94% das vagas abertas em 2000 tinham remuneração de até 1,5 salário mínimo) e do aumento da taxa global de rotatividade do trabalho (36,9%). Ou seja, às custas da reprodução de um regime de acumulação que insiste em precarizar o trabalho subalterno. Além disso, este modelo foi capaz de integrar grandes contingentes de mulheres e de não brancos, mas quase sempre em ocupações alienadas que não requerem qualificações especiais. Sinteticamente, acompanhando a dinâmica das ocupações na base da pirâmide social do país somos obrigados a refletir sobre os alcances e os limites do atual modelo de desenvolvimento pós-fordista.
Uma reflexão que nos obriga a encarar o atual ciclo de crescimento econômico do ponto de vista do alargamento da superpopulação relativa (precariado brasileiro, proletariado precarizado…). Por um lado, é possível perceber claramente os avanços em relação à decada anterior: a política de valorização do salário mínimo permitiu que um enorme contingente de trabalhadores, especialmente concentrado nas regiões mais carentes, conquistassem um padrão de consumo relativamente inédito na história nacional. Com a formalização do emprego, estes trabalhadores ascenderam a um patamar menos inseguro socialmente, o que tende a elevar a satisfação individual. E a percepção destes em relação ao futuro tornou-se mais positiva.
Por outro lado, a promessa da superação da pobreza e do subdesenvolvimento esbarra na incapacidade do modelo em gerar postos de trabalho mais qualificados, superar a barreira do salário mínimo e bloquear a rotatividade do trabalho. Afinal, como poderia ser diferente se o atual regime de acumulação concentrou-se entorno das atividades de mineração, de petróleo, dos agronegócios e da indústria da construção civil? Precisamos lembrar que o atual modelo reproduz a trilha aberta pela hegemonia tucana de trocar a indústria de transformação por setores que utilizam largamente trabalho não qualificado? Ou seja, trata-se de um movimento que tende a reforçar a insatisfação coletiva.
Estudando a atual dinâmica do trabalho doméstico para famílias, do trabalho nas atividades autônomas e primárias, além do trabalho terceirizado, Pochmann esmiuçou o avesso do atual regime de acumulação. Ao fazê-lo, ele demonstrou que a hegemonia lulista apoia-se em um consistente alargamento da base salarial da pirâmide ocupacional brasileira. Ao mesmo tempo, Pochmann adverte-nos a respeito dos riscos inerentes a um modelo de desenvolvimento que apresenta sérias dificuldades em promover um ciclo de ascensão social consistente com mais e melhores salários. Do choque entre a satisfação individual e os germes dainsatisfação coletiva avolumam-se tensões no atual regime hegemônico.
Sem mencionar outras importantes greves nacionais ocorridas em 2011, como a dos bancários e a dos trabalhadores dos correios, por exemplo, o impulso grevista de 2011 permanece ativo este ano: em Belo Monte, cerca de 7 mil trabalhadores espalhados por todas as frentes de trabalho da usina hidrelétrica cruzaram os braços por 12 dias; no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), localizado em Itaboraí (RJ), pelo menos 15 mil trabalhadores entraram em greve no dia 9 de abril, permanecendo 31 dias parados; ainda no início do ano, foram registrados 10 dias de greve em Jirau e na plataforma da Petrobras em São Roquedo Paraguaçu (BA); além de novas paralizações em Suape, greves em várias obras dos estádios da Copa do Mundo de futebol etc… Tudo somado, talvez Francisco Weffort tivesse mesmo razão quando, quase cinco décadas atrás, afirmou que, no Brasil, “a vitória individual traz em germe a frustração social”.
Blog Convergência: Pensamento Socialista em movimento
terça-feira, 5 de março de 2013
Nota da Direção Estadual do PSTU sobre os atentados em Santa Catarina
Santa Catarina: sem fantasias enfrenta a sua dura realidade.
Ônibus, caminhões e carros queimados, outras inúmeras tentativas de atentados, tiroteios, prisões, repressões, inocentes feridos, toque de recolher e uma população em pânico, se repetiram durante semanas em Santa Catarina. Foram mais de 100 atentados nessa nova onda de ataques que somados ao caos no trânsito, ao caro e péssimo transporte público e ao crescimento desordenado das cidades formam a realidade no estado. Santa Catarina há tempos não é mais um paraíso, como a imagem que tenta passar a Burguesia do estado que têm no turismo e na especulação imobiliária grandes lucros. Só que essa fantasia não condiz com a realidade onde o aumento dos índices de criminalidade no estado é em muitos casos igual ou maior do que em São Paulo e Rio de Janeiro.
O fim desta segunda onda não significa que tudo acabou, precisamos entender os motivos destes ataques e realizar as transformações necessárias atingindo o real problema: a falência deste sistema prisional.
“Entra governo e sai governo e quem paga é povo”
Colombo é só mais um entre tantos governantes, como a própria Dilma, que segue uma política que privilegia o lucro, que faz de tudo para dar dinheiro para empresas em forma de incentivos e subsídios, mas que não investe na saúde, na educação, não faz nada para por fim ao caos urbano, ou seja, não combate a verdadeira causa da violência: as desigualdades.
A polícia faz revistas, prisões e até tortura pessoas sem o menor pudor. O clima de pânico faz com que parte da população apoie estes atos sem justificativa, pois a maiorias das pessoas que sofrem esses atos nada tem haver com o crime organizado. E ação da polícia hoje é para tentar passar à falsa ideia de controle e de que faz algo contra os atos, por isso faz rondas onde possa se mostrar. Mas como sempre tratam de proteger principalmente as regiões mais ricas ou turísticas, deixando a periferia e os morros abandonados a sua própria sorte.
Um estado corrupto gera uma polícia corrupta
Hoje a polícia é o reflexo do nosso estado. O estado capitalista é corrupto, no Brasil ele é um dos mais corruptos, gera políticos como Renan Calheiros ou Ada De Luca, Secretária de Estado da Justiça e Cidadania, envolvida em corrupção na compra de bloqueadores de celulares para presídios. E a polícia não é diferente, temos uma polícia militarizada, ainda aos moldes da ditadura. Ela tem regras próprias, justiça própria, nunca sabemos o que acontece em seus julgamentos. Eles não respondem a ninguém. Os bons policiais não podem denunciar seus chefes corruptos, não podem lutar por melhorias porque a polícia segue a hierarquia militar. Hoje a realidade é feita por policiais mal pagos, treinados para identificar os movimentos sociais como inimigos, uma polícia sob o comando dos figurões da política e seus indicados para os cargos de chefias da corporação, e não uma polícia sob o comando da população.
Uma polícia que não pensa duas vezes em atacar um grevista é fruto do estado que atacou e ataca duramente a Associação dos policiais PMs de Santa Catarina(APRASC). O estado que não consegue dar fim ao caos é o mesmo que não titubeou em atacar os professores estaduais, o mesmo que mandou a polícia reprimir com violência os servidores da saúde em greve e que chega a colocar mais de quinhentos policiais em uma pequena manifestação contra o aumento do preço das passagens de ônibus. Esse estado, contra o crime organizado não parece ser tão durão. Por que será?
Uma organização criminosa tão forte só pode existir com a colaboração de policiais e políticos, e hoje ela mede forças para ver quem manda. Não se enganem, já começam a surgir as denúncias que a outra onda de atentados que ocorreu ano passado só acabou graças a um acordo entre o governo e o comando geral, eles estão discutindo como vai ser a sua divisão de interesses e não o bem estar da população.
O que está em jogo?
Hoje quem domina os presídios domina o crime organizado. A falência do sistema prisional transformou as cadeias em um verdadeiro quartel general do crime, onde os chefes contam com proteção e com material humano vasto para recrutar e treinar.
Por isso afirmamos que o que esta em jogo é o domínio do crime organizado e suas ramificações (que vão desde policiais corruptos até políticos) e não atos contra torturas, pois infelizmente elas são praticadas diariamente pela polícia em nosso país, não só nos presídios, em trabalhadores e em especial na população jovem negra da periferia. Todos sabem que cadeia e polícia só funcionam para pobre e ladrão de galinha.
Aumentar a repressão não é a solução
Muito se ouviu pelas ruas a defesa de que se a polícia intervisse com força poderia conter a violência, fala-se nas ruas sobre a necessidade de diminuir a maioridade penal ou de aprovar a pena de morte, mas essa não é a solução.
A polícia não intervém onde deveria porque não é interessante para ela, o crime está dentro da instituição, dentro das câmaras e senado, e nunca são os verdadeiros criminosos que pagam a dívida. Quando a polícia sai as ruas não está procurando os criminosos e sim exercendo uma política racista de criminalização da pobreza, são os pobres, na maioria negros, que não podem descer os morros do estado e entrar em um ônibus para ir trabalhar.
Hoje o crime muitas vezes apresenta para os jovens uma saída que o estado não consegue apresentar, infelizmente é verdade que a cada dia mais jovens são levados pelo tráfico porém, reduzir a maioridade penal não faria nada além de reduzir ainda mais a idade destes jovens que se hoje tem 16 anos, amanhã terão 13.
Para resolver o problema propomos:
- A apuração imediata das penas de todos os presidiários, reavaliando o tempo das penas de acordo com a gravidade da pena e não mais pela cor da pele. Chega de presídios lotados de “ladrões de galinha” enquanto os verdadeiros bandidos ficam soltos.
- Uma transformação no sistema carcerário, com o fim das torturas e a superlotação, com a transformação dos presídios em lugares para capacitação e readaptação dos presos. Dessa forma separando os presos de baixa periculosidade dos de alta. É hora de acabar com a universidade do crime que são os presídios hoje.
- Cadeia para os grandes criminosos, não importando que eles sejam ricos ou políticos.
- Criação de uma comissão composta por representantes da Anistia Internacional, APRASC (Associação de Praças de Santa Catarina), Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal, Ministério Publico e outros movimentos sociais para apuração do casos de abusos e torturas nos presídios e prender os mandantes.
- Defesa dos trabalhadores, dar garantias para que os trabalhadores consigam trabalhar com segurança, com atenção especial aos motoristas de ônibus.
- Exigir dos governos (federal, estadual e municipais) o aumento do investimento nas áreas sociais para garantir serviços públicos de qualidade e oportunidades de emprego dignas para todos;
- Pela descriminalização e legalização das drogas. Hoje as drogas tomam conta das cidades, o tráfico é uma das principais fontes de sustento do crime organizado. A política proibicionista só tem ajudado a elevar os altos lucros do crime.
- A unificação das polícias militar e civil em uma só força de segurança civil, com o direito de sindicalização e de greve para policiais e bombeiros e acima de tudo sob o controle da sociedade, com a eleição pelas comunidades de delegados de polícia e demais chefias.
Ônibus, caminhões e carros queimados, outras inúmeras tentativas de atentados, tiroteios, prisões, repressões, inocentes feridos, toque de recolher e uma população em pânico, se repetiram durante semanas em Santa Catarina. Foram mais de 100 atentados nessa nova onda de ataques que somados ao caos no trânsito, ao caro e péssimo transporte público e ao crescimento desordenado das cidades formam a realidade no estado. Santa Catarina há tempos não é mais um paraíso, como a imagem que tenta passar a Burguesia do estado que têm no turismo e na especulação imobiliária grandes lucros. Só que essa fantasia não condiz com a realidade onde o aumento dos índices de criminalidade no estado é em muitos casos igual ou maior do que em São Paulo e Rio de Janeiro.
O fim desta segunda onda não significa que tudo acabou, precisamos entender os motivos destes ataques e realizar as transformações necessárias atingindo o real problema: a falência deste sistema prisional.
“Entra governo e sai governo e quem paga é povo”
Colombo é só mais um entre tantos governantes, como a própria Dilma, que segue uma política que privilegia o lucro, que faz de tudo para dar dinheiro para empresas em forma de incentivos e subsídios, mas que não investe na saúde, na educação, não faz nada para por fim ao caos urbano, ou seja, não combate a verdadeira causa da violência: as desigualdades.
A polícia faz revistas, prisões e até tortura pessoas sem o menor pudor. O clima de pânico faz com que parte da população apoie estes atos sem justificativa, pois a maiorias das pessoas que sofrem esses atos nada tem haver com o crime organizado. E ação da polícia hoje é para tentar passar à falsa ideia de controle e de que faz algo contra os atos, por isso faz rondas onde possa se mostrar. Mas como sempre tratam de proteger principalmente as regiões mais ricas ou turísticas, deixando a periferia e os morros abandonados a sua própria sorte.
Um estado corrupto gera uma polícia corrupta
Hoje a polícia é o reflexo do nosso estado. O estado capitalista é corrupto, no Brasil ele é um dos mais corruptos, gera políticos como Renan Calheiros ou Ada De Luca, Secretária de Estado da Justiça e Cidadania, envolvida em corrupção na compra de bloqueadores de celulares para presídios. E a polícia não é diferente, temos uma polícia militarizada, ainda aos moldes da ditadura. Ela tem regras próprias, justiça própria, nunca sabemos o que acontece em seus julgamentos. Eles não respondem a ninguém. Os bons policiais não podem denunciar seus chefes corruptos, não podem lutar por melhorias porque a polícia segue a hierarquia militar. Hoje a realidade é feita por policiais mal pagos, treinados para identificar os movimentos sociais como inimigos, uma polícia sob o comando dos figurões da política e seus indicados para os cargos de chefias da corporação, e não uma polícia sob o comando da população.
Uma polícia que não pensa duas vezes em atacar um grevista é fruto do estado que atacou e ataca duramente a Associação dos policiais PMs de Santa Catarina(APRASC). O estado que não consegue dar fim ao caos é o mesmo que não titubeou em atacar os professores estaduais, o mesmo que mandou a polícia reprimir com violência os servidores da saúde em greve e que chega a colocar mais de quinhentos policiais em uma pequena manifestação contra o aumento do preço das passagens de ônibus. Esse estado, contra o crime organizado não parece ser tão durão. Por que será?
Uma organização criminosa tão forte só pode existir com a colaboração de policiais e políticos, e hoje ela mede forças para ver quem manda. Não se enganem, já começam a surgir as denúncias que a outra onda de atentados que ocorreu ano passado só acabou graças a um acordo entre o governo e o comando geral, eles estão discutindo como vai ser a sua divisão de interesses e não o bem estar da população.
O que está em jogo?
Hoje quem domina os presídios domina o crime organizado. A falência do sistema prisional transformou as cadeias em um verdadeiro quartel general do crime, onde os chefes contam com proteção e com material humano vasto para recrutar e treinar.
Por isso afirmamos que o que esta em jogo é o domínio do crime organizado e suas ramificações (que vão desde policiais corruptos até políticos) e não atos contra torturas, pois infelizmente elas são praticadas diariamente pela polícia em nosso país, não só nos presídios, em trabalhadores e em especial na população jovem negra da periferia. Todos sabem que cadeia e polícia só funcionam para pobre e ladrão de galinha.
Aumentar a repressão não é a solução
Muito se ouviu pelas ruas a defesa de que se a polícia intervisse com força poderia conter a violência, fala-se nas ruas sobre a necessidade de diminuir a maioridade penal ou de aprovar a pena de morte, mas essa não é a solução.
A polícia não intervém onde deveria porque não é interessante para ela, o crime está dentro da instituição, dentro das câmaras e senado, e nunca são os verdadeiros criminosos que pagam a dívida. Quando a polícia sai as ruas não está procurando os criminosos e sim exercendo uma política racista de criminalização da pobreza, são os pobres, na maioria negros, que não podem descer os morros do estado e entrar em um ônibus para ir trabalhar.
Hoje o crime muitas vezes apresenta para os jovens uma saída que o estado não consegue apresentar, infelizmente é verdade que a cada dia mais jovens são levados pelo tráfico porém, reduzir a maioridade penal não faria nada além de reduzir ainda mais a idade destes jovens que se hoje tem 16 anos, amanhã terão 13.
Para resolver o problema propomos:
- A apuração imediata das penas de todos os presidiários, reavaliando o tempo das penas de acordo com a gravidade da pena e não mais pela cor da pele. Chega de presídios lotados de “ladrões de galinha” enquanto os verdadeiros bandidos ficam soltos.
- Uma transformação no sistema carcerário, com o fim das torturas e a superlotação, com a transformação dos presídios em lugares para capacitação e readaptação dos presos. Dessa forma separando os presos de baixa periculosidade dos de alta. É hora de acabar com a universidade do crime que são os presídios hoje.
- Cadeia para os grandes criminosos, não importando que eles sejam ricos ou políticos.
- Criação de uma comissão composta por representantes da Anistia Internacional, APRASC (Associação de Praças de Santa Catarina), Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal, Ministério Publico e outros movimentos sociais para apuração do casos de abusos e torturas nos presídios e prender os mandantes.
- Defesa dos trabalhadores, dar garantias para que os trabalhadores consigam trabalhar com segurança, com atenção especial aos motoristas de ônibus.
- Exigir dos governos (federal, estadual e municipais) o aumento do investimento nas áreas sociais para garantir serviços públicos de qualidade e oportunidades de emprego dignas para todos;
- Pela descriminalização e legalização das drogas. Hoje as drogas tomam conta das cidades, o tráfico é uma das principais fontes de sustento do crime organizado. A política proibicionista só tem ajudado a elevar os altos lucros do crime.
- A unificação das polícias militar e civil em uma só força de segurança civil, com o direito de sindicalização e de greve para policiais e bombeiros e acima de tudo sob o controle da sociedade, com a eleição pelas comunidades de delegados de polícia e demais chefias.
segunda-feira, 4 de março de 2013
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
ATENTADOS EM SANTA CATARINA: A FALÊNCIA DA POLÍTICA DE SEGURANÇA PÚBLICA DO GOVERNO RAIMUNDO COLOMBO
Por CSP-Conlutas/SC
A população de Santa Catarina mais uma vez se vê refém de uma série de atentados criminosos. Desde o último dia 30 de janeiro até 8 de fevereiro, pelo menos 82 atentados ocorreram no estado em 26 municípios diferentes. Isso ocorreu também em novembro do ano passado. Mas neste ano os atentados alcançam mais cidades, prolongam-se por mais dias, vieram em maior número e estão mais violentos, a exemplo de dois rapazes que tiveram queimaduras graves em Florianópolis.
A onda de atentados está afetando o cotidiano de todas as pessoas não só pela violência. Os ônibus na capital do estado, Florianópolis, por exemplo, não circulam mais no período das 23h às 6h. Existe um toque de recolher informal. Nos Morros da Capital os ônibus não estão mais subindo nem durante o dia, penalizando em especial a população mais pobre que vem subindo e descendo o morro a pé depois de longas jornadas de trabalho. Até o carnaval, que já tinha sofrido antes um duro golpe do governo municipal ao fomentar um modelo bem privatizado e afastado das suas origens populares, fica mais ainda prejudicado com a crise na segurança pública e a falta de ônibus.
No meio de toda a crise, o governo de Raimundo Colombo não consegue mais esconder o fracasso de sua política de segurança pública. Depois de cada promessa do governador de que tudo vai ficar bem, novos ataques voltam a acontecer.
Para piorar, é importante lembrar, que ações criminosas tão amplas como essas são praticamente impossíveis de acontecerem sem a colaboração e participação de altos funcionários do estado (a exemplo de políticos, juízes, advogados ou oficiais da polícia) e outros membros da alta sociedade, como grandes empresários. O que está por trás da onda de atentados é a disputa por poder e dinheiro que envolve o tráfico de drogas e atividades que giram ao redor, como extorsões, sequestros, assaltos e pistolagens. E isso não é coisa para peixe pequeno.
De onde vem tanta violência?
Setores conservadores da sociedade procuram inflamar na população nesses momentos tensos e difíceis saídas que não resolvem o problema e só os agravam. Esses setores clamam pela redução da maioridade penal, outros mais exaltados clamam pela pena de morte e sempre se procura apresentar o reforço dos aparelhos repressivos do estado como a saída, a exemplo da proposta do prefeito de Joinville, Udo Dohler, que apresenta a criação da guarda municipal como solução.
Segundo a Anistia Internacional, o país já é um dos campeões em violência policial, a despeito da insegurança pública que só vem aumentando. Isso se agrava porque o estado sempre direciona sua violência e repressão contra a população mais pobre, negra e trabalhadora, ou quando esta luta por suas reivindicações. Já os grandes bandidos que geram os pequenos nunca são atingidos.
Vemos agora isso ocorrer com os mensaleiros que tomaram posse no Congresso Nacional. O mesmo Congresso Nacional que elegeu um velho corrupto para o presidir, Renam Calheiros. Escândalos de corrupção em nosso estado também são emblemáticos como o que envolveu Ada De Luca, Secretária de Estado da Justiça e Cidadania, com a compra de bloqueadores de celulares para presídios, denunciadas em meio à onda de atentados no ano passado e que não tiveram qualquer consequência e ela se mantém no cargo. Enquanto isso, as incursões policiais violentas e revistas humilhantes são sempre nas comunidades mais pobres e direcionada a população negra. A população carcerária é em sua maioria negra, pobre e nunca tiveram grandes oportunidades na vida, possuindo poucos anos de estudo. Os trabalhadores ou a juventude quando fazem greves ou manifestações são duramente reprimidos, como vemos acontecer nas próprias greves dos policiais contra os baixos salários e contra o regime autoritário dos quartéis.
Sem combater as graves desigualdades sociais nenhuma política de segurança pública terá sucesso, pois isso está na base e na origem da explosão de violência. O governo Dilma, nesse sentido, também é responsável pela onda de ataques. Seu tão alardeado crescimento econômico não resolveu o problema do desemprego. Ao mesmo tempo gerou muito subemprego e falta de perspectivas para os jovens. Sua política econômica cortou verbas para políticas sociais fundamentais, como educação, saúde, transporte, moradia, cultura e lazer. Isso tudo cria um terreno fértil para alimentar a mão de obra do crime organizado.
Um programa dos trabalhadores
Precisamos de um programa emergencial dos trabalhadores para enfrentar de forma imediata a grave crise da segurança pública em nosso estado e que também vitima o conjunto do país. Apresentamos algumas medidas que devem ser ser complementadas e aprofundadas pelos movimentos sociais ligados à luta da classe trabalhadora:
CSP-Conlutas/SC
A população de Santa Catarina mais uma vez se vê refém de uma série de atentados criminosos. Desde o último dia 30 de janeiro até 8 de fevereiro, pelo menos 82 atentados ocorreram no estado em 26 municípios diferentes. Isso ocorreu também em novembro do ano passado. Mas neste ano os atentados alcançam mais cidades, prolongam-se por mais dias, vieram em maior número e estão mais violentos, a exemplo de dois rapazes que tiveram queimaduras graves em Florianópolis.
A onda de atentados está afetando o cotidiano de todas as pessoas não só pela violência. Os ônibus na capital do estado, Florianópolis, por exemplo, não circulam mais no período das 23h às 6h. Existe um toque de recolher informal. Nos Morros da Capital os ônibus não estão mais subindo nem durante o dia, penalizando em especial a população mais pobre que vem subindo e descendo o morro a pé depois de longas jornadas de trabalho. Até o carnaval, que já tinha sofrido antes um duro golpe do governo municipal ao fomentar um modelo bem privatizado e afastado das suas origens populares, fica mais ainda prejudicado com a crise na segurança pública e a falta de ônibus.
No meio de toda a crise, o governo de Raimundo Colombo não consegue mais esconder o fracasso de sua política de segurança pública. Depois de cada promessa do governador de que tudo vai ficar bem, novos ataques voltam a acontecer.
Para piorar, é importante lembrar, que ações criminosas tão amplas como essas são praticamente impossíveis de acontecerem sem a colaboração e participação de altos funcionários do estado (a exemplo de políticos, juízes, advogados ou oficiais da polícia) e outros membros da alta sociedade, como grandes empresários. O que está por trás da onda de atentados é a disputa por poder e dinheiro que envolve o tráfico de drogas e atividades que giram ao redor, como extorsões, sequestros, assaltos e pistolagens. E isso não é coisa para peixe pequeno.
De onde vem tanta violência?
Setores conservadores da sociedade procuram inflamar na população nesses momentos tensos e difíceis saídas que não resolvem o problema e só os agravam. Esses setores clamam pela redução da maioridade penal, outros mais exaltados clamam pela pena de morte e sempre se procura apresentar o reforço dos aparelhos repressivos do estado como a saída, a exemplo da proposta do prefeito de Joinville, Udo Dohler, que apresenta a criação da guarda municipal como solução.
Segundo a Anistia Internacional, o país já é um dos campeões em violência policial, a despeito da insegurança pública que só vem aumentando. Isso se agrava porque o estado sempre direciona sua violência e repressão contra a população mais pobre, negra e trabalhadora, ou quando esta luta por suas reivindicações. Já os grandes bandidos que geram os pequenos nunca são atingidos.
Vemos agora isso ocorrer com os mensaleiros que tomaram posse no Congresso Nacional. O mesmo Congresso Nacional que elegeu um velho corrupto para o presidir, Renam Calheiros. Escândalos de corrupção em nosso estado também são emblemáticos como o que envolveu Ada De Luca, Secretária de Estado da Justiça e Cidadania, com a compra de bloqueadores de celulares para presídios, denunciadas em meio à onda de atentados no ano passado e que não tiveram qualquer consequência e ela se mantém no cargo. Enquanto isso, as incursões policiais violentas e revistas humilhantes são sempre nas comunidades mais pobres e direcionada a população negra. A população carcerária é em sua maioria negra, pobre e nunca tiveram grandes oportunidades na vida, possuindo poucos anos de estudo. Os trabalhadores ou a juventude quando fazem greves ou manifestações são duramente reprimidos, como vemos acontecer nas próprias greves dos policiais contra os baixos salários e contra o regime autoritário dos quartéis.
Sem combater as graves desigualdades sociais nenhuma política de segurança pública terá sucesso, pois isso está na base e na origem da explosão de violência. O governo Dilma, nesse sentido, também é responsável pela onda de ataques. Seu tão alardeado crescimento econômico não resolveu o problema do desemprego. Ao mesmo tempo gerou muito subemprego e falta de perspectivas para os jovens. Sua política econômica cortou verbas para políticas sociais fundamentais, como educação, saúde, transporte, moradia, cultura e lazer. Isso tudo cria um terreno fértil para alimentar a mão de obra do crime organizado.
Um programa dos trabalhadores
Precisamos de um programa emergencial dos trabalhadores para enfrentar de forma imediata a grave crise da segurança pública em nosso estado e que também vitima o conjunto do país. Apresentamos algumas medidas que devem ser ser complementadas e aprofundadas pelos movimentos sociais ligados à luta da classe trabalhadora:
- Exigir dos governos (federal, estadual e municipais) que invistam maciçamente em áreas sociais para garantir serviços públicos de qualidade e oportunidades de emprego dignas para todos;
- De nada adianta o apoio à política do estado de incursão em comunidades pobres e de torturas nas cadeias, a exemplo da recente denúncia grave em Joinville. O que precisamos para acabar com o crime organizado é agir centralmente contra o topo da sua cadeia de comando combatendo a corrupção do estado e prendendo e confiscando bens de corruptos e corruptores. Precisamos também acabar, de forma imediata no sistema prisional, com as torturas, a superlotação e a mistura indiscriminada de presos de diferentes periculosidades;
- Pela descriminalização e legalização das drogas. A política proibicionista só tem ajudado a elevar os altos lucros do crime organizado e ajudado a alimentar a corrupção do estado;
- É necessário ainda democratizar a polícia com a unificação das polícias militar e civil numa só força de segurança civil, garantir a permissão do direito de sindicalização e de greve para policiais e bombeiros e o controle da sociedade sobre as polícias com a eleição pelas comunidades, por exemplo, dos delegados de polícia.
CSP-Conlutas/SC
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
Devaneios acerca do passado e do futuro do PT de Blumenau
Por Clausmar Luiz Siegel, militante do PSTU, em 14/01/2013
Nos já distantes anos de 1993/4 havia uma piada freqüente nos corredores da casa legislativa blumenauense. Dizia-se que o Partido dos Trabalhadores não possuía uma "bancada". Tinha, sim, uma "mancada"! As explicações para tal gracinha eram duas, quais sejam. A primeira se originava no preconceito burguês contra os deficientes físicos. Os dois vereadores petistas naquela época, os Srs. Décio Lima e Célio Scholemberg, são portadores de dificuldades para caminhar, e mancam ao deambular. A segunda se originava no preconceito que a burguesia ainda mantinha em relação a um PT já domesticado. Havia poucos anos que o PT tinha liderado mobilizações, lutas e greve operárias, docentes, estudantis e ainda liderava alguma mobilização dos servidores públicos municipais, e a lembrança destes fatos fazia com que o empresariado blumenauense mantivesse uma grande reserva ao PT. Os partidos tradicionais (PMDB, PFL, PDT, PSDB e o PPB/PPR de Amim e Maluf) ainda estavam testando as suas primeiras relações com o minúsculo PT, e chamar-lhe de "mancada" fazia parte deste teste de calouro.
Até as eleições de 1996 o PT de Blumenau teve que se empenhar para ser bem aceito nos meios políticos locais: o resultado inesperado daquele ano fez com que a burguesia deixasse de ser arrogante para se tornar tolerante. E assim, por 08 anos, o PT foi habitante do prédio ao lado da velha figueira tendo um bom convívio com a ACIB e outras entidades da elite local. Nada mais do que o reflexo local do mesmo fenômeno nacional. Também Lula e outros líderes de renome faziam o mesmo caminho da “aburguesação” deste ex-partido de lutas operárias.
Esta mudança veio acompanhada da degeneração política das relações internas do partido. As "tendências" que disputavam o poder interno do PT deixavam de ter os seus programas coletivos para se tornarem agrupamentos em torno de projetos pessoais de grandes figurões do partido. Algumas destas correntes, nos anos 80, declaravam-se marxistas, e se reivindicavam a "esquerda" petista. Na "direita" estava o agrupamento nomeado de "Articulação - Unidade na luta", que mais tarde passou a se chamar "Campo Majoritário", com uma orientação claramente não marxista. Já ao final dos anos 90, estas designações de "direita" e "esquerda" pouco se justificavam, uma vez que o PT inteiro havia se alinhado ao "Status Quo" e os projetos pessoais se superpunham aos programas sociais, políticos e econômicos. No entanto, ainda que sem mais uma luta entre Marxistas e não marxistas, os termos "direita" e "esquerda" continuam sendo usados até hoje nos dias das festas petistas.
Voltando a Blumenau, os 08 anos de boas relações com o empresariado foram liderados pelo prefeito Décio Lima, naqueles anos um membro da "Articulação". Obviamente, Décio não deixou a "esquerda" petista a ver navios, e também contemplou-a com cargos e mimos do poder. Fazia parte da pacificação da "esquerda" incluí-la no esquema. Mas para a sucessão municipal a Articulação indicou o desconhecido Edson Adriano, também da "direita" partidária local.
Deu-se, então, a primeira derrota eleitoral, que segundo alguns petistas afirmam até os dias atuais, foi propositalmente causada pela ala do Sr. Décio Lima, pois assim este estaria devolvendo pacificamente a cadeira de chefe do executivo aos seus verdadeiros donos, os partidos burgueses desde o berço, para mais tarde retomá-la de forma também pacífica e sem grandes atribulações. Esta versão dos fatos, sustentada por alguns petistas esquerdistas locais até a alguns anos passados, diz ainda que Décio e a "direita" foram traídos pela burguesia local na medida em que nos anos de 2008 e agora em 2012 a cadeira principal continuou nas mãos dos partidos claramente burgueses, e não voltou para petistas da "direita". Esta corrente de pensamento deve uma explicação em sua análise: em que momento a "esquerda" petista teria se manifestado contra esta estratégia? Em que evento as forças/personalidades criticas ao projeto da "Articulação" se posicionaram e lutaram claramente contra este acordo?
A verdade é que a grande maioria da esquerda petista local se adaptou, se adequou, se contentou com as migalhas do poder e, assim como todo o PT, trocou a luta dos trabalhadores pelas benesses do poder em parceira com a classe inimiga.
As poucas demonstrações de rebeldia da esquerda petista blumenauense foram vergonhosas: o ex-edil Célio Scholemberg saiu do PT atirando com armas e munição de esquerda para, logo em seguida, alinhar-se com o neo-burguês PPS. O mesmo (ou parecido) se deu com o grupo que saiu do PT para fundar o PSOL: sem consistência programática, movidos mais pelas encrencas pessoais do que pelos fatos políticos, foram para o PSOL, brigaram com todos de lá, e acabaram indo para o PDT (e depois ainda para o PMDB)! Ou seja, foram mais a direita do que a direita petista! Lamentável.
E agora, PT?
Em 2012 ocorreu a terceira derrota consecutiva da ala direitista do PT de Blumenau. E pior, não só a terceira, mas a mais fragorosa: no dia 04/10, pesquisa eleitoral divulgou resultados bastante animadores para a candidata Ana Paula, que acabou nem mesmo indo para o segundo turno! A pergunta que surge é se esta ala direitista, depois de três derrotas seguidas, terá condições de indicar o próximo candidato a prefeito de Blumenau pela sigla do PT? Detentores de 03 mandatos de grande importância (o deputado federal Décio Lima, a deputada estadual Ana Paula e o vereador Jefferson Forest), e principalmente, detentores da confiança da burguesia local, a "Articulação" terá "moral" de disputar mais uma eleição? Uma estrela cadente ainda terá condições de permanecer à frente desta sigla?
O vereador Vanderlei de Oliveira há muito tempo vem se reivindicando a "esquerda" do PT blumenauense, e agora mostra claramente que está em franca ascensão não somente dentro, mas especialmente fora do partido: com 05 mandatos consecutivos, é agora o presidente do legislativo municipal. Ótima oportunidade de mostrar não somente aos petistas e aos outros partidos, mas especialmente a todos os setores empresariais que também a esquerda petista está a serviço das coisas para a manutenção das coisas, e nada mais de marxista permanece em suas veias. Ótima oportunidade de provar que não haverá “mancada” da esquerda não deficiente física a frente dos negócios municipais.
Até as eleições de 1996 o PT de Blumenau teve que se empenhar para ser bem aceito nos meios políticos locais: o resultado inesperado daquele ano fez com que a burguesia deixasse de ser arrogante para se tornar tolerante. E assim, por 08 anos, o PT foi habitante do prédio ao lado da velha figueira tendo um bom convívio com a ACIB e outras entidades da elite local. Nada mais do que o reflexo local do mesmo fenômeno nacional. Também Lula e outros líderes de renome faziam o mesmo caminho da “aburguesação” deste ex-partido de lutas operárias.
Esta mudança veio acompanhada da degeneração política das relações internas do partido. As "tendências" que disputavam o poder interno do PT deixavam de ter os seus programas coletivos para se tornarem agrupamentos em torno de projetos pessoais de grandes figurões do partido. Algumas destas correntes, nos anos 80, declaravam-se marxistas, e se reivindicavam a "esquerda" petista. Na "direita" estava o agrupamento nomeado de "Articulação - Unidade na luta", que mais tarde passou a se chamar "Campo Majoritário", com uma orientação claramente não marxista. Já ao final dos anos 90, estas designações de "direita" e "esquerda" pouco se justificavam, uma vez que o PT inteiro havia se alinhado ao "Status Quo" e os projetos pessoais se superpunham aos programas sociais, políticos e econômicos. No entanto, ainda que sem mais uma luta entre Marxistas e não marxistas, os termos "direita" e "esquerda" continuam sendo usados até hoje nos dias das festas petistas.
Voltando a Blumenau, os 08 anos de boas relações com o empresariado foram liderados pelo prefeito Décio Lima, naqueles anos um membro da "Articulação". Obviamente, Décio não deixou a "esquerda" petista a ver navios, e também contemplou-a com cargos e mimos do poder. Fazia parte da pacificação da "esquerda" incluí-la no esquema. Mas para a sucessão municipal a Articulação indicou o desconhecido Edson Adriano, também da "direita" partidária local.
Deu-se, então, a primeira derrota eleitoral, que segundo alguns petistas afirmam até os dias atuais, foi propositalmente causada pela ala do Sr. Décio Lima, pois assim este estaria devolvendo pacificamente a cadeira de chefe do executivo aos seus verdadeiros donos, os partidos burgueses desde o berço, para mais tarde retomá-la de forma também pacífica e sem grandes atribulações. Esta versão dos fatos, sustentada por alguns petistas esquerdistas locais até a alguns anos passados, diz ainda que Décio e a "direita" foram traídos pela burguesia local na medida em que nos anos de 2008 e agora em 2012 a cadeira principal continuou nas mãos dos partidos claramente burgueses, e não voltou para petistas da "direita". Esta corrente de pensamento deve uma explicação em sua análise: em que momento a "esquerda" petista teria se manifestado contra esta estratégia? Em que evento as forças/personalidades criticas ao projeto da "Articulação" se posicionaram e lutaram claramente contra este acordo?
A verdade é que a grande maioria da esquerda petista local se adaptou, se adequou, se contentou com as migalhas do poder e, assim como todo o PT, trocou a luta dos trabalhadores pelas benesses do poder em parceira com a classe inimiga.
As poucas demonstrações de rebeldia da esquerda petista blumenauense foram vergonhosas: o ex-edil Célio Scholemberg saiu do PT atirando com armas e munição de esquerda para, logo em seguida, alinhar-se com o neo-burguês PPS. O mesmo (ou parecido) se deu com o grupo que saiu do PT para fundar o PSOL: sem consistência programática, movidos mais pelas encrencas pessoais do que pelos fatos políticos, foram para o PSOL, brigaram com todos de lá, e acabaram indo para o PDT (e depois ainda para o PMDB)! Ou seja, foram mais a direita do que a direita petista! Lamentável.
E agora, PT?
Em 2012 ocorreu a terceira derrota consecutiva da ala direitista do PT de Blumenau. E pior, não só a terceira, mas a mais fragorosa: no dia 04/10, pesquisa eleitoral divulgou resultados bastante animadores para a candidata Ana Paula, que acabou nem mesmo indo para o segundo turno! A pergunta que surge é se esta ala direitista, depois de três derrotas seguidas, terá condições de indicar o próximo candidato a prefeito de Blumenau pela sigla do PT? Detentores de 03 mandatos de grande importância (o deputado federal Décio Lima, a deputada estadual Ana Paula e o vereador Jefferson Forest), e principalmente, detentores da confiança da burguesia local, a "Articulação" terá "moral" de disputar mais uma eleição? Uma estrela cadente ainda terá condições de permanecer à frente desta sigla?
O vereador Vanderlei de Oliveira há muito tempo vem se reivindicando a "esquerda" do PT blumenauense, e agora mostra claramente que está em franca ascensão não somente dentro, mas especialmente fora do partido: com 05 mandatos consecutivos, é agora o presidente do legislativo municipal. Ótima oportunidade de mostrar não somente aos petistas e aos outros partidos, mas especialmente a todos os setores empresariais que também a esquerda petista está a serviço das coisas para a manutenção das coisas, e nada mais de marxista permanece em suas veias. Ótima oportunidade de provar que não haverá “mancada” da esquerda não deficiente física a frente dos negócios municipais.
Luta em defesa emprego na GM
Assentamento Milton Santos - Com a corda no pescoço
LEIA MAIS:
quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
Metade da comida do mundo vai parar no lixo, diz relatório
Organização britânica diz que desperdício é 'assombroso' mediante problemas como fome e aumento de população.
Um relatório de uma organização britânica indica que até metade de toda a comida produzida a cada ano no mundo, ou cerca de dois bilhões de toneladas, vão parar no lixo.
O documento, intitulado Global Food; Waste not, Want not (“Alimentos Globais; Não Desperdice, Não Queira”, em tradução livre), diz que o desperdício está ocorrendo devido a uma série de motivos, entre eles as condições inadequadas de armazenamento e a adoção de prazos de validade demasiadamente rigorosos.
Outro problema é a preferência dos consumidores por alimentos com um formato ou cor específicos. O estudo diz que até 30% das frutas, verduras e legumes plantados na Grã-Bretanha sequer são colhidos por causa de sua aparência.
O desperdício de alimentos também implica em desperdício de recursos usados para a produção deles, como água, áreas para agricultura e energia, alertou o relatório publicado pela Institution of Mechanical Engineers, uma organização que representa engenheiros mecânicos e reúne cem mil membros no Reino Unido.
Ofertas nos supermercados
A ONU prevê que até 2075 a população mundial chegue a 9,5 bilhões de pessoas, um acréscimo de 3 bilhões em relação à população atual, o que reforça a necessidade de se adotar uma estratégia para combater o desperdício de alimentos e, assim, tentar evitar o aumento da fome no mundo.
De acordo com o relatório, o equivalente a entre 30% e 50% dos alimentos produzidos no mundo por ano, ou seja, entre 1,2 bilhão e 2 bilhões de toneladas, nunca são ingeridos.
Além disso, nos Estados Unidos e na Europa, metade da comida que é comprada acaba sendo jogada fora.
Tim Fox, diretor de Energia e Meio Ambiente da Institution of Mechanical Engineers, disse que o desperdício é "assombroso". "Isto é comida que poderia ser usada para alimentar a crescente população mundial além de aqueles que atualmente passam fome."
"As razões desta situação variam das técnicas insatisfatórias de engenharia e agricultura à infraestrutura inadequada de transporte e armazenamento, passando pela exigência feita pelos supermercados de que os produtos sejam visualmente perfeitos e pelas promoções de 'compre um, leve outro grátis', que incentivam os consumidores a levar para casa mais do que precisam", disse.
Água
O relatório alertou que atualmente 550 bilhões de metros cúbicos de água estão sendo desperdiçados na produção de alimentos que vão para o lixo.
E o problema pode se agravar. Segundo a Institution of Mechanical Engineers, o consumo de água no mundo chegará a até 13 trilhões de metros cúbicos por ano em 2050 devido ao crescimento da demanda para produção de alimentos.
Isso representa até 3,5 vezes o total de água consumido atualmente pela humanidade e gera o temor de mais escassez do recurso no futuro.
O alto consumo de carne tem grande influência nesse aumento de demanda, visto que a produção de carne exige mais água do que a produção de alimentos vegetais.
"À medida que água, terra e energia passam a ser mais disputados devido à demanda da humanidade, os engenheiros tem um papel crucial a desempenhar no sentido de prevenir a perda e o desperdício de alimentos, desenvolvendo formas mais eficientes de produção, transporte e armazenamento", disse Fox.
Fonte: BBC
Um relatório de uma organização britânica indica que até metade de toda a comida produzida a cada ano no mundo, ou cerca de dois bilhões de toneladas, vão parar no lixo.
O documento, intitulado Global Food; Waste not, Want not (“Alimentos Globais; Não Desperdice, Não Queira”, em tradução livre), diz que o desperdício está ocorrendo devido a uma série de motivos, entre eles as condições inadequadas de armazenamento e a adoção de prazos de validade demasiadamente rigorosos.
Outro problema é a preferência dos consumidores por alimentos com um formato ou cor específicos. O estudo diz que até 30% das frutas, verduras e legumes plantados na Grã-Bretanha sequer são colhidos por causa de sua aparência.
O desperdício de alimentos também implica em desperdício de recursos usados para a produção deles, como água, áreas para agricultura e energia, alertou o relatório publicado pela Institution of Mechanical Engineers, uma organização que representa engenheiros mecânicos e reúne cem mil membros no Reino Unido.
Ofertas nos supermercados
A ONU prevê que até 2075 a população mundial chegue a 9,5 bilhões de pessoas, um acréscimo de 3 bilhões em relação à população atual, o que reforça a necessidade de se adotar uma estratégia para combater o desperdício de alimentos e, assim, tentar evitar o aumento da fome no mundo.
De acordo com o relatório, o equivalente a entre 30% e 50% dos alimentos produzidos no mundo por ano, ou seja, entre 1,2 bilhão e 2 bilhões de toneladas, nunca são ingeridos.
Além disso, nos Estados Unidos e na Europa, metade da comida que é comprada acaba sendo jogada fora.
Tim Fox, diretor de Energia e Meio Ambiente da Institution of Mechanical Engineers, disse que o desperdício é "assombroso". "Isto é comida que poderia ser usada para alimentar a crescente população mundial além de aqueles que atualmente passam fome."
"As razões desta situação variam das técnicas insatisfatórias de engenharia e agricultura à infraestrutura inadequada de transporte e armazenamento, passando pela exigência feita pelos supermercados de que os produtos sejam visualmente perfeitos e pelas promoções de 'compre um, leve outro grátis', que incentivam os consumidores a levar para casa mais do que precisam", disse.
Água
O relatório alertou que atualmente 550 bilhões de metros cúbicos de água estão sendo desperdiçados na produção de alimentos que vão para o lixo.
E o problema pode se agravar. Segundo a Institution of Mechanical Engineers, o consumo de água no mundo chegará a até 13 trilhões de metros cúbicos por ano em 2050 devido ao crescimento da demanda para produção de alimentos.
Isso representa até 3,5 vezes o total de água consumido atualmente pela humanidade e gera o temor de mais escassez do recurso no futuro.
O alto consumo de carne tem grande influência nesse aumento de demanda, visto que a produção de carne exige mais água do que a produção de alimentos vegetais.
"À medida que água, terra e energia passam a ser mais disputados devido à demanda da humanidade, os engenheiros tem um papel crucial a desempenhar no sentido de prevenir a perda e o desperdício de alimentos, desenvolvendo formas mais eficientes de produção, transporte e armazenamento", disse Fox.
Fonte: BBC
Assinar:
Postagens (Atom)








